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Tesla Cybercab começa a operar nos EUA e levanta dúvidas sobre segurança

Táxi autônomo dispensa volante e pedais e utiliza somente oito câmeras associadas a inteligência artificial

Autos Carros|Marcos Camargo JrOpens in new window

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Tesla Cybercab roda em rua calma dos Estados Unidos Tesla/Divulgação

A Tesla começou a oferecer viagens pagas com o Cybercab em Austin, no Texas, nos Estados Unidos. Desenvolvido exclusivamente para funcionar como táxi autônomo, o veículo elétrico tem apenas dois lugares e não possui volante, pedais ou retrovisores convencionais. A operação inicial é limitada e inclui uma frota de 45 unidades registradas no estado norte-americano e tem um perímetro máximo na região metropolitana da cidade.

Homem sai de dentro do Tesla Cybercab nos Estados Unidos Tesla/Divulgação

O lançamento representa um passo importante na estratégia de Elon Musk, mas também reacendeu o debate sobre a segurança dos carros sem motorista. Pouco depois do início das viagens comerciais, a NHTSA, agência de segurança viária dos Estados Unidos, abriu uma auditoria para analisar como a Tesla certificou um veículo sem os comandos tradicionalmente exigidos pelas normas federais. A fabricante afirma que o Cybercab atende aos requisitos aplicáveis e que os veículos são seguros.


Oito câmeras substituem radares e sensores a laser


O ponto mais controverso está no sistema de percepção. O Cybercab utiliza oito câmeras externas conectadas a um computador de alto desempenho, responsável por processar as imagens e tomar decisões por meio de redes neurais e inteligência artificial.


Lateral do Tesla Cybercab Tesla/Divulgação

A Tesla não emprega radares nem sensores LiDAR, que emitem pulsos de laser para produzir uma representação tridimensional do ambiente. A empresa aposta que câmeras, processamento computacional e uma grande quantidade de dados coletados pela frota são suficientes para reconhecer veículos, pedestres, faixas, semáforos e obstáculos.

Tela do Tesla Cybercab Tesla/Divulgação

A quantidade de câmeras, isoladamente, não determina se um carro autônomo é seguro. Resolução, posicionamento, capacidade de processamento, treinamento do software e redundância dos sistemas também são fundamentais. A discussão está justamente na ausência de uma segunda tecnologia capaz de confirmar aquilo que as câmeras identificam.


Traseira do Tesla Cybercab Tesla/Divulgação

Na sexta geração do sistema da Waymo, por exemplo, são utilizadas 13 câmeras, quatro sensores lidar, seis radares e receptores de áudio. Os Jaguar I-Pace da empresa chegaram a empregar 29 câmeras. A Zoox, pertencente à Amazon, também combina câmeras, radares, lidar e sensores infravermelhos.

Porta do Tesla Cybercab Tesla/Divulgação

Radares conseguem medir com precisão a distância e a velocidade de outros veículos, enquanto o lidar cria uma imagem tridimensional do entorno. Esses equipamentos também podem complementar as câmeras em situações de chuva, neblina, baixa luminosidade ou ofuscamento provocado pelo sol.

Farol do Tesla Cybercab Tesla/Divulgação

Por outro lado, a solução da Tesla é mais simples e barata. Menos sensores representam menor custo de fabricação, instalação e manutenção, um fator importante para um veículo que deverá operar continuamente como táxi. Elon Musk pretende transformar o Cybercab em um produto de grande volume, com preço futuro inferior a US$ 30 mil.

Histórico da Tesla aumenta a desconfiança

O Cybercab utiliza uma evolução da tecnologia desenvolvida para o Full Self-Driving, ou FSD. É importante destacar que o FSD oferecido nos automóveis convencionais da Tesla é classificado como um sistema de assistência e ainda exige supervisão constante do motorista, diferentemente da proposta do Cybercab dentro de sua área autorizada de operação.

Dianteira do Tesla Cybercab Tesla/Divulgação

Em 2024, a NHTSA abriu uma investigação envolvendo cerca de 2,4 milhões de veículos Tesla equipados com o FSD depois de quatro acidentes registrados em condições de visibilidade reduzida. Os casos ocorreram sob situações como neblina, poeira suspensa e forte incidência de luz solar. Um deles terminou com a morte de um pedestre e outro deixou uma pessoa ferida.

O primeiro serviço de robotáxi da Tesla, iniciado em Austin em 2025 com unidades do Model Y, também apresentou episódios de frenagens inesperadas, paradas em locais inadequados, excesso de velocidade e entrada momentânea na faixa contrária. Os vídeos levaram a NHTSA a procurar informações adicionais sobre a operação. Agora, o Cybercab elimina inclusive a possibilidade de um passageiro assumir o controle diretamente.

Os acidentes com veículos autônomos não se limitam à Tesla. Em março de 2018, um veículo de testes da Uber atropelou e matou uma pedestre em Tempe, no Arizona. A investigação concluiu que o sistema detectou a mulher 5,6 segundos antes do impacto, mas não conseguiu classificá-la corretamente nem prever sua trajetória. Também foram apontadas falhas na supervisão humana e nos procedimentos de segurança da empresa.

Em 2023, um robotáxi da Cruise, empresa então controlada pela General Motors, passou sobre uma mulher que havia sido atingida inicialmente por outro automóvel. O veículo tentou executar uma manobra para encostar e arrastou a vítima por cerca de seis metros. O episódio levou o Departamento de Veículos Motorizados da Califórnia a suspender as licenças da companhia.

Até a Waymo, referência atual no setor, precisou realizar atualizações e recalls. Mais de 1.200 veículos receberam uma correção de software depois de colisões em baixa velocidade contra correntes, portões e barreiras semelhantes. Outra atualização foi aplicada após um carro vazio atingir um poste. Não houve feridos nos casos relacionados às correntes e aos portões.

O Cybercab começa a operar como uma das apostas mais ousadas da indústria, mas sua expansão dependerá do desempenho nas ruas, da resposta das autoridades e da capacidade da inteligência artificial de lidar com situações que nem sempre aparecem nos cenários de treinamento e nos algoritmos do sistema que movimenta os veículos

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