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Ciência para o Dia a Dia

Consumo de ômega-3 pode estar associado a menor ocorrência de ansiedade, diz estudo

Pesquisa identificou relação entre a ingestão de determinados tipos de ômega-3 e uma menor chance de transtornos de ansiedade

Ciência para o Dia a Dia|Camille Perella CoutinhoOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Estudo brasileiro sugere que maior consumo de ômega-3 pode reduzir a ocorrência de transtornos de ansiedade em até 18%.
  • Pesquisa analisou 12.268 participantes do ELSA-Brasil, excluindo aqueles que usavam suplementos de ômega-3 ou ômega-6.
  • Associação entre ômega-3 e ansiedade não é conclusiva; resultados não justificam uso de suplementos sem acompanhamento médico.
  • Estudo financiado por instituições brasileiras foi publicado na revista Nutrients e destaca a importância de pesquisas futuras para confirmar os achados.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Achados devem ser interpretados como indícios de uma possível relação, e não como uma comprovação de que o consumo previne a ansiedade Imagem gerada por IA via ChatGPT

O maior consumo de alguns tipos de ácidos graxos ômega-3 pode estar associado a uma menor ocorrência de transtornos de ansiedade. É o que sugere um estudo realizado com 12.268 participantes do ELSA-Brasil, o Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto, uma das maiores pesquisas epidemiológicas do país.

Os pesquisadores avaliaram a ingestão de diferentes ácidos graxos, incluindo EPA, DHA e DPA, encontrados principalmente em peixes e frutos do mar. Também investigaram a presença de transtorno de ansiedade generalizada, transtorno do pânico, ansiedade social, fobias e transtorno obsessivo-compulsivo.


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Entre os participantes analisados, 1.893, o equivalente a 15,4% da amostra, apresentavam pelo menos um transtorno de ansiedade.

Após considerar fatores como idade, sexo, escolaridade, tabagismo, consumo de álcool, prática de atividade física, índice de massa corporal, doenças cardiovasculares, ingestão energética, qualidade da alimentação e presença de depressão, os pesquisadores observaram que os participantes com maior ingestão de EPA, DHA e DPA apresentavam chances cerca de 17% a 18% menores de ter um transtorno de ansiedade, em comparação com aqueles que consumiam as menores quantidades desses nutrientes.


O estudo também identificou uma possível associação entre uma proporção mais elevada de ômega-6 em relação ao ômega-3 e uma maior ocorrência de ansiedade.

Os participantes com a maior relação entre esses dois tipos de gordura apresentaram chance aproximadamente 21% maior de ter algum transtorno de ansiedade.


Apesar dos resultados iniciais, os autores destacam que as associações deixaram de ser estatisticamente significativas após a aplicação de uma correção mais rigorosa para as várias comparações realizadas.

Dessa forma, os achados devem ser interpretados como indícios de uma possível relação, e não como uma comprovação de que o consumo de ômega-3 previne ou trata a ansiedade.


Os dados utilizados na pesquisa foram coletados entre 2008 e 2010 com servidores públicos de seis cidades brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Vitória. Os participantes tinham entre 35 e 74 anos.

A alimentação foi avaliada por meio de um questionário que investigava a frequência de consumo de 114 alimentos ao longo dos 12 meses anteriores. A partir das respostas, os pesquisadores estimaram a ingestão diária de peixes, frutos do mar e diferentes tipos de ácidos graxos.

Os transtornos mentais foram identificados por meio de uma entrevista clínica estruturada e validada para a população brasileira. O instrumento permitiu classificar os diagnósticos de acordo com os critérios da Classificação Internacional de Doenças, a CID-10.

Participantes que utilizavam suplementos de ômega-3 ou ômega-6 foram excluídos da análise. Também não foram incluídas pessoas que haviam passado por cirurgia bariátrica, apresentavam informações incompletas ou relataram valores de ingestão energética considerados pouco plausíveis.

Os ácidos graxos ômega-3 participam da estrutura e do funcionamento do cérebro. Eles estão envolvidos em processos como a comunicação entre os neurônios, a formação de novas células nervosas, a sobrevivência celular, a resposta inflamatória e a regulação das respostas ao estresse.

O DHA, por exemplo, é um dos ácidos graxos mais abundantes no cérebro. Estudos anteriores também investigaram a participação do EPA e do DHA em mecanismos relacionados à inflamação, à neurotransmissão e à resposta do organismo ao estresse.

Esses mecanismos oferecem uma explicação biologicamente plausível para a relação observada, mas não demonstram que aumentar o consumo desses nutrientes necessariamente reduzirá a ansiedade.

Uma das principais limitações da pesquisa é seu desenho transversal, no qual a alimentação e a presença dos transtornos de ansiedade foram avaliadas no mesmo período.

Por isso, não é possível determinar se o maior consumo de ômega-3 influenciou a saúde mental ou se pessoas com ansiedade apresentavam hábitos alimentares diferentes.

Além disso, o consumo alimentar foi informado pelos próprios participantes, que precisaram se lembrar do que haviam consumido durante o ano anterior. Esse tipo de avaliação está sujeito a erros de memória, imprecisões na estimativa das porções e alterações intencionais ou não intencionais nos relatos.

Os resultados não justificam o uso de suplementos de ômega-3 por conta própria nem a substituição do acompanhamento psicológico ou psiquiátrico. Segundo os autores, estudos que acompanhem os participantes ao longo do tempo são necessários para esclarecer se esses ácidos graxos realmente exercem algum efeito protetor contra os transtornos de ansiedade.

O trabalho foi conduzido por Lara Natacci, Dirce M. Marchioni, Alessandra C. Goulart, Maria Angélica Nunes, Arlinda B. Moreno, Letícia O. Cardoso, Luana Giatti, Maria del Carmen B. Molina, Itamar S. Santos, André R. Brunoni, Paulo A. Lotufo e Isabela M. Benseñor.

Os pesquisadores estão vinculados à Universidade de São Paulo, à Universidade Federal do Rio Grande do Sul, à Fundação Oswaldo Cruz, à Universidade Federal de Minas Gerais e à Universidade Federal do Espírito Santo.

O estudo de base do ELSA-Brasil recebeu financiamento do Ministério da Saúde, por meio do Departamento de Ciência e Tecnologia, e do então Ministério da Ciência e Tecnologia, com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos, a Finep, e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o CNPq.

Os recursos foram destinados aos centros de pesquisa participantes no Rio Grande do Sul, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. De acordo com os autores, as instituições financiadoras não parti

A pesquisa foi publicada na revista científica Nutrients.

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