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USP desenvolve treinamento para reconhecer sinais de risco de suicídio em idosos

Com simulações e materiais gratuitos, iniciativa prepara estudantes e profissionais de saúde para acolher o sofrimento emocional

Ciência para o Dia a Dia|Camille Perella CoutinhoOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Pesquisadoras da USP criaram um treinamento para prevenir suicídio em idosos, com materiais educativos gratuitos.
  • O treinamento utiliza simulações para ensinar a reconhecer sinais de sofrimento emocional e criar planos de cuidado.
  • A atividade contou com 99 participantes e destacou a importância de uma abordagem acolhedora e sem julgamentos.
  • Os materiais estão disponíveis gratuitamente e podem apoiar a formação em saúde mental para idosos.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Escuta e acolhimento na promoção da saúde mental de idosos Imagem Gerada por AI

O cuidado com a pessoa idosa também exige atenção ao que ela sente, à sua história e aos vínculos que mantém. O isolamento, a perda de autonomia e as falas de desesperança precisam ser escutadas com seriedade.

Para ajudar estudantes e profissionais de saúde a reconhecer essas situações, pesquisadoras da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da USP desenvolveram um roteiro de treinamento para a prevenção do suicídio em idosos, acompanhado de materiais educativos gratuitos.

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A proposta foi elaborada durante o mestrado da enfermeira Maria Isabella Alves Paterna, sob orientação da professora Kelly Graziani Giacchero Vedana, no Laboratório de Estudos e Pesquisa em Prevenção e Posvenção do Suicídio.

O treinamento utiliza uma situação encenada para exercitar a escuta, a identificação de sinais de sofrimento emocional e a construção de um plano de cuidados com a pessoa idosa.

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No cenário criado pela equipe, um ator interpretou o senhor Humberto, de 78 anos, que vivia há dois anos em uma instituição de longa permanência. Ao longo da atividade, o personagem demonstrava isolamento, baixa autoestima, recusa em participar de atividades coletivas e sentimentos de inutilidade, além de expressar desesperança e pensamentos de morte.

Os participantes precisavam acolhê-lo, conversar de maneira clara sobre esses pensamentos e investigar a existência de planejamento suicida. Também deveriam construir, junto com ele, alternativas de cuidado e fortalecimento de seus vínculos. Quando encontrava uma escuta atenta, o personagem manifestava interesse em aprender a usar o celular para retomar o contato com a família.

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A atividade contou com 99 participantes. Após o treinamento, a equipe registrou níveis elevados de satisfação e autoconfiança, além de relatos de maior sensibilidade e reconhecimento de práticas preventivas. Esses resultados dizem respeito à experiência de formação e não permitem concluir que a iniciativa tenha reduzido a ocorrência de suicídio.

A proposta chama atenção para manifestações que podem ser minimizadas no cotidiano. Frases que expressam falta de sentido para continuar vivendo não devem ser tratadas como consequências naturais da idade. Segundo as pesquisadoras, o comportamento suicida na velhice envolve múltiplos fatores, entre eles dores crônicas, depressão, perda de mobilidade e autonomia e perdas familiares e sociais.

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O treinamento também aborda o receio de conversar diretamente sobre suicídio. As autoras ressaltam que uma abordagem aberta, acolhedora e sem julgamentos é importante para compreender a situação, organizar a rede de apoio e definir os cuidados necessários.

Depois da simulação, os participantes discutiram suas reações, dúvidas e atitudes em uma conversa conduzida sem avaliações punitivas. Esse momento permitiu refletir sobre a prática e sobre as dificuldades emocionais enfrentadas por quem cuida.

O roteiro pode apoiar atividades de formação em faculdades, escolas técnicas e instituições de saúde. Os materiais destinados a cuidadores e à comunidade estão disponíveis gratuitamente no site do laboratório. A iniciativa reforça que proteger a saúde mental na velhice exige reconhecer o sofrimento, preservar a autonomia e incluir a pessoa idosa nas decisões sobre seu próprio cuidado.

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