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Antônio Cabrera: o algodão que veste também pode alimentar a guerra

Até a guerra dos drones e da inteligência artificial continua dependente do campo

Espaço Prisma|Antônio Cabrera, especial para o R7*

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Países da OTAN enfrentam escassez de algodão, essencial para a fabricação de munições modernas.
  • O Brasil é o maior exportador mundial de algodão, com alta produtividade e certificação socioambiental.
  • O algodão tem múltiplos usos, incluindo vestuário e munição, mas a responsabilidade do uso é da sociedade.
  • Para o Brasil, o valor está em desenvolver indústrias que transformem o algodão em produtos de maior valor agregado.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Brasil é o maior exportador mundial de algodão REPRODUÇÃO/RECORD NEWS - 03.07.2024

Uma reportagem do Wall Street Journal revelou que os países da OTAN enfrentam escassez de um insumo estratégico para a fabricação de munições: o algodão. Não o da camiseta, mas o línter — a fibra curta utilizada para produzir nitrocelulose, componente propelente presente em grande parte das munições modernas.

A Europa precisa mais do que dobrar sua capacidade de produção para atender à demanda.


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A notícia revela algo importante: até a guerra dos drones e da inteligência artificial continua dependente do campo.

E o Brasil ocupa uma posição estratégica. Somos o maior exportador mundial de algodão, resultado de tecnologia, produtividade e de uma cultura frequentemente plantada como segunda safra, depois da soja.


Temos produtividade superior ao dobro da média mundial e somos líderes globais em certificação socioambiental: 83% da produção brasileira é certificada pelos programas ABR e Better Cotton, representando quase metade de todo o algodão certificado do mundo.

Nosso algodão também possui uma vantagem pouco reconhecida: enquanto grande parte da produção mundial depende de irrigação, a maior parte da produção brasileira utiliza apenas a água da chuva.


O algodão pode se transformar em roupas, óleo, alimento animal, materiais hospitalares e inúmeros produtos industriais. Mas também pode virar munição.

Esse certamente não é o uso mais nobre do agro. Isso não torna o algodão culpado, nem o produtor responsável pela guerra. Mostra apenas que a tecnologia não possui moral própria. A matéria-prima nasce no campo; a sociedade decide o que fará com ela.


A notícia também deixa uma lição econômica para o Brasil. Ser o maior exportador de algodão não significa dominar todas as etapas de sua transformação.

O valor estratégico não está apenas em produzir e embarcar a fibra, mas em desenvolver química, biotecnologia, processamento e indústrias capazes de transformar cada parte da planta em produtos de maior valor agregado.

O mundo voltou a compreender que agricultura é poder. Pode ser poder para vestir, alimentar, curar e desenvolver. Infelizmente, também pode ser poder para destruir.

O agro coloca a matéria-prima nas mãos da civilização. O uso que fazemos dela revela que tipo de civilização somos.

*Antônio Cabrera é médico veterinário e empresário. Foi ministro da Agricultura durante o governo de Fernando Collor.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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