Noriega: Messi é gênio, mas precisamos falar de Mbappé
A disputa pela artilharia histórica da Copa empolga, mas o tempo e os números jogam a favor do craque francês
Espaço Prisma|Maurício Noriega, especial para o R7

Messi é gênio, um extraterrestre. Não há o que discutir. A uma semana de completar 39 anos, o argentino brindou o mundo com uma atuação de gala, fez os três gols da vitória dos atuais campeões mundiais sobre a Argélia e reescreveu capítulos da história do futebol. Alcançou Miroslav Klose na artilharia geral das Copas, com 16 gols e empilhou outras marcas. Voltarei a elas, mas precisamos falar de Kylian Mbappé.
O francês também acumula marcas impressionantes e ainda conta com o tempo a seu favor. Mbappé fez cinco gols nos últimos dois jogos de Copa do Mundo que disputou. Soma 14 em 15 partidas de Mundiais, uma média assombrosa de 0,93 por partida.
O camisa 10 dos “Bleus” tem apenas 27 anos e já disputou duas finais de Copa, tendo vencido uma. Há uma regra implícita no esporte de alto rendimento que aponta o auge de um atleta aos 28 anos de idade, que é quando ele empata vigor físico com capacidade técnica e experiência. Mbappé tem, pelo menos, mais duas Copas pela frente e pode pulverizar todos os recordes.
Não se trata de comparar jogadores. Messi é seguramente um dos maiores jogadores de todos os tempos. Um gênio incontestável do esporte, um jogador que carrega multidões aos estádios e seduz plateias mundo afora.
Embora seu apogeu físico tenha ficado para trás, sua incrível capacidade técnica compensa com sobras e faz dele um jogador letal graças à sua eficiência e à incrível inteligência para se posicionar em campo.
O argentino precisou de 27 jogos em Copas para alcançar a marca de 16 gols, uma média de 0,59 por jogo. Isso porque passou em branco na África do Sul, em 2010, uma de suas seis Copas. Mas é o único a dar passe para gol em cinco Copas, tem participação direta em 24 gols (superou Pelé, com 21) e chegou a 2.216 minutos jogados em Mundiais.
O Rei Pelé fez 12 gols em 14 partidas de Mundiais, média de 0,857. Provavelmente ninguém vai superar a média absurda de 2,17 gols por jogo do francês Just Fontaine, que anotou 13 tentos em seis jogos na Copa da Suécia, em 1958. O alemão Gerd Muller é quem chega mais perto, com 1,07 em 13 partidas e 14 gols.
Tudo isso joga ainda mais a favor de Mbappé. Seu próximo jogo na Copa é contra o Iraque, na segunda-feira. Sua seleção é uma das candidatas ao título. Mas Messi promete não deixar barato. Joga contra a Áustria também na segunda, e sua seleção também é uma das candidatas.
Para tristeza de todos nós que amamos o futebol, Messi deve se despedir da Copa do Mundo nesta edição. É pouco provável que ele queira atuar no Mundial de 2030, quando terá 43 anos. Bola para isso ele tem; resta saber a motivação e a condição física.
Embora tenha concorrentes de peso como o jovem espanhol Lamine Yamal e o cometa norueguês Erlin Haaland (que estreou em Copas fazendo dois gols), a janela de oportunidade que se abre para Mbappé se consolidar como um dos maiores da história das Copas é indiscutível.
O francês joga demais, tem capacidade física privilegiada e o amadurecimento tende a favorecê-lo no momento em que a geração de Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar está passando o bastão.
Anotem aí: ainda vamos falar muito e por muito tempo de Kylian Mbappé.
*Maurício Noriega é comentarista esportivo da RECORD
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