Maurício Noriega: Olise resgata a mística do Camisa 10 na Copa
Embora jogue com a 11, o talento do francês desmonta a tese de que esse tipo de jogador estava extinto
Espaço Prisma|Maurício Noriega, especial para o R7*

O talento do craque francês Michael Olise está desmontando uma tese do futebol nesta Copa do Mundo. Embora jogue com a 11, Olise tem atuado como um Camisa 10 na grande seleção francesa. A camisa que consagrou no futebol a função do armador clássico, o jogador dos grandes passes decisivos, que encontra brechas onde os outros não enxergam.
A partir do segundo tempo da estreia francesa contra o Senegal, o treinador francês Didier Deschamps fez uma mudança de posicionamento que abriu o campo para Olise desfilar seu talento.
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Em vez de deixar o camisa 11 confinado pelo lado direito do campo, Deschamps o deslocou para o meio e fez-se a luz! O driblador infernal pela ponta se mostrou um Camisa 10 de almanaque, com passes milimétricos que resultam em gols, as chamadas assistências. Já são cinco na Copa.
A mudança feita por Deschamps vai na contramão do que tem acontecido no futebol mundial. Desde as categorias de base, meio-campistas talentosos com características de armador, o estilo dos Camisas 10, são deslocados para os lados do campo.
Um movimento do futebol europeu, em especial do inglês, que foi adotado pelo mundo. Também no Brasil, a partir das categorias de base. A produção de jogadores é pensada para abastecer o mercado europeu e engordar o caixa dos clubes brasileiros.
O exemplo mais recente desse tipo de adaptação é o de Estevão, atualmente no Chelsea. Quando surgiu no Palmeiras, era um meia armador, o Camisa 10. Foi deslocado para o lado antes de explodir.
Olise é um jogador de talento raro. Driblador, ousado, a bola parece grudar em seus pés. Ao atuar como armador, floresceram outras capacidades que pareciam adormecidas.
Posicionado mais pelo meio, ele tem um campo maior de atuação, ganha opções para abastecer à frente, dos dois lados do campo, e também com o trabalho de pivô de algum jogador posicionado como camisa 9. Mbappé e Barcola têm sido os maiores beneficiados com essa nova função de Olise.
A Copa do Mundo funciona como um grande congresso mundial do futebol. Dela emanam as tendências que serão copiadas pelo mundo, por clubes e seleções.
O que Deschamps fez com Olise mostra que existe, sim, espaço para os Camisas 10 no jogo moderno. Pouco importa o número da camisa. Olise veste a 11, mas, em plena Copa do Mundo, está resgatando a mística do Camisa 10.
*Maurício Noriega é comentarista esportivo da RECORD
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