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Noriega: Messi é o gênio da simplicidade

É um deleite ver o craque argentino ser requintado sem exageros, afetação ou esnobismo com a bola

Espaço Prisma|Maurício Noriega, especial para o R7

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Lionel Messi comemora o segundo gol contra a Áustria, e o quinto da Copabra scoring their second goal Kai Pfaffenbach/Reuters - 22.06.2026

O futebol teve um Rei e muitos gênios. Entre os gênios, Messi talvez seja o que mais perto chegará de Pelé ao final da carreira. Porque Pelé é inalcançável. Messi é o craque da simplicidade. Um grande facilitador. Ele faz parecer simples o que é difícil até para grandes jogadores. Messi é o maior jogador minimalista da história do futebol. Ele não faz nada mais do que o necessário, mas faz tão bem feito que exala sofisticação.

Afinal, o que é a simplicidade de Messi? Fosse ele um poeta, não colocaria uma frase, uma vírgula a mais em seus sonetos. Caso atuasse como músico, não haveria uma nota fora de lugar ou solos para demonstrar virtuosismo. Ele é um maestro que sempre coloca a música acima dos músicos.


Messi chega a ser econômico. Dificilmente dá mais de dois, três toques na bola. Abre o campo, clareia a jogada com apenas um. Tem-se a impressão em alguns momentos do jogo de que ele está em outra dimensão. De repente, do nada, ele se materializa no lugar e na hora certos, e, quando menos esperamos, a bola está dentro do gol, e o estádio explode.

Um dos principais atributos de Messi – e somente os gênios saem de fábrica com essa qualidade – é a capacidade de antever jogadas. Como se tivesse um sexto sentido aguçado, ele percebe segundos antes o que está sendo desenhado. Sempre com objetividade e eficiência.


Embora seja o maior artilheiro das Copas, a mensagem que Messi transmite é a de que está fazendo tudo pelo time e não por ele. Suas arrancadas não são arroubos de um individualista; elas cumprem exatamente o papel que a jogada pede, o espaço que o adversário cede.

As finalizações são um caso à parte. Quando está perto do gol, parece que a meta aumenta de tamanho e se transforma em latifúndio. Ele faz com dois toques o que a maioria precisa de cinco para tentar e geralmente não consegue. O segundo gol contra a Argélia é uma obra de arte da frieza. A bola sobra rebatida e, quando um jogador comum encheria o pé, ele dá um tapa como se estivesse brincando com os filhos no jardim de casa. Messi faz arte, mas não com esse propósito. A obra está acima da assinatura.


O argentino genial não é completo como Pelé. Ele não tem os atributos físicos do Rei, a impulsão, a força e o cabeceio mortais, o chute poderoso com os dois pés. Também não possui a habilidade lúdica de Maradona ou a explosão muscular dos Ronaldo Fenômeno e Cristiano. Não investe em malabarismos como seu ídolo Ronaldinho Gaúcho.

O que faz de Messi um gênio é a técnica apurada e aplicada ao resultado. Ele não gosta de holofotes, mas as luzes o procuram. Messi tem domínio de bola surreal, controle dos espaços e da velocidade e uma capacidade de execução sem paralelo. Não há excessos no futebol de Messi – a não ser de gols, e gol nunca é demais.


Aos 39 anos, que completa nesta quarta, dia 24 de junho de 2026, Messi segue sendo uma dádiva para quem ama o futebol. Um gênio a serviço da arte. É caçado, sofre faltas, dificilmente reclama. Não provoca e nem cai em provocação. Sua cabeça está voltada para o jogo, para o gol.

Tal qual Federer numa quadra de tênis, Messi faz parecer fácil jogar futebol. Embora exale elegância, ela é inata. Como ensinou outro gênio, Leonardo da Vinci: “A simplicidade é o maior requinte”.

*Maurício Noriega é comentarista esportivo da RECORD

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