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Paciente de 380 quilos morre após espera angustiante por transferência no RS

Mesmo com uma decisão judicial, Luciano Borges Costi aguardou além do prazo por uma vaga em hospital de alta complexidade.

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Paciente de 380 quilos morre após espera angustiante por transferência no RS Arquivo pessoal

Luciano Borges Costi morreu nesta quarta-feira (12), depois de passar 19 dias internado no Hospital Santa Luzia, em Capão da Canoa, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul. Ele pesava 380 quilos e enfrentava uma infecção generalizada provocada por graves lesões na pele.

O drama vivido por Luciano e sua família foi acompanhado de perto pelo repórter Jônatha Bittencourt, da Record Guaíba, que mostrou a busca por uma instituição com estrutura para recebê-lo.


Nos últimos dias, a família viveu uma corrida contra o tempo para conseguir a transferência para um hospital de alta complexidade em Porto Alegre. Na quarta-feira passada, a Justiça determinou que o procedimento fosse realizado no prazo de 48 horas e que o tratamento fosse custeado pelo IPE Saúde, que é o sistema de assistência médica e hospitalar dos servidores públicos do Estado do Rio Grande do Sul.

A decisão judicial, porém, não garantiu atendimento imediato. Segundo a defesa da família, pelo menos três hospitais de referência recusaram o paciente por não terem estrutura física adequada para acomodá-lo. A vaga no Hospital de Clínicas de Porto Alegre só foi autorizada quatro dias depois do fim do prazo estabelecido pela Justiça.


Na noite de terça-feira, duas ambulâncias, equipes médicas e bombeiros chegaram a ser mobilizados para a transferência. O estado de Luciano, no entanto, já havia se agravado. Diante do risco do deslocamento, a operação foi suspensa. Ele morreu na manhã seguinte.

A família pretende questionar judicialmente a demora e sustenta que cada hora era decisiva para a sobrevivência do paciente. Caberá à investigação esclarecer se o atraso contribuiu para a morte.


Mesmo antes dessa resposta, o caso já revela uma falha difícil de aceitar. Luciano permaneceu sobre estruturas improvisadas de madeira, montadas com paletes, porque o hospital não dispunha de um leito capaz de suportar seu peso. Uma situação que ultrapassa a falta de equipamento e atinge diretamente a dignidade humana.

Pesar 380 quilos não tornava a vida de Luciano menos importante. Ele precisava de cuidados específicos, mas tinha o mesmo direito de qualquer outro paciente a um leito adequado, a um tratamento seguro e a uma transferência realizada com urgência.


Não basta uma instituição dizer que paga, outra afirmar que não possui estrutura e uma terceira simplesmente recusar o paciente. Quando todos apresentam uma justificativa e ninguém encontra uma solução, quem está doente acaba abandonado no espaço existente entre uma responsabilidade e outra.

Luciano era conhecido como Bolão e integrava a torcida organizada Camisa 12, do Internacional. Amigos o descrevem como alguém generoso, sempre disposto a mobilizar ajuda para outras pessoas. Ele deixa a mãe, um irmão e muitos amigos. Sua morte também provocou manifestações de torcidas organizadas de diferentes partes do país.

Agora, além de apurar responsabilidades, o Rio Grande do Sul precisa enfrentar uma pergunta incômoda: se outro paciente com obesidade extrema necessitar hoje de atendimento intensivo, existe algum hospital realmente preparado para recebê-lo? Se a resposta ainda for não, a tragédia de Luciano não pode ser tratada como uma fatalidade imprevisível.

O que diz o IPE Saúde

O IPE Saúde lamenta profundamente o falecimento do segurado e se solidariza com seus familiares e amigos neste momento de dor. O segurado estava assistido desde o dia 28 de julho pelo Hospital Santa Luzia, credenciado ao IPE Saúde. Portanto, não houve negativa de atendimento ou de cobertura assistencial.

Após tomar conhecimento da necessidade de transferência, o Instituto atuou na busca de leito com capacidade na rede credenciada, independentemente da discussão judicial em andamento. Foram realizados contatos com diferentes hospitais, que informaram não dispor de capacidade técnica para receber um paciente com as características clínicas apresentadas.

Na segunda-feira (10), foi viabilizado um leito no Hospital de Clínicas, com confirmação na manhã de terça-feira (11), como consta na Guia de Autorização do paciente. Entretanto, o quadro clínico havia se agravado, com necessidade de internação em UTI, impossibilitando a transferência naquele momento. No mesmo dia, o IPE Saúde conseguiu a disponibilização de um leito de UTI no Hospital de Clínicas, mas, segundo entendimento do Hospital Santa Luzia, o paciente não apresentava condições clínicas para ser transportado. O IPE Saúde esclarece que não interfere na gestão dos hospitais credenciados, na regulação de leitos, nem no encaminhamento e transporte de pacientes. Essas decisões são de responsabilidade dos estabelecimentos de saúde.

Diante da situação excepcional, o Instituto realizou todos os esforços que estavam ao seu alcance para viabilizar a transferência e o atendimento de maior complexidade, inclusive buscando alternativas na rede credenciada. O IPE Saúde reitera sua solidariedade à família e lamenta profundamente o falecimento do segurado.

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