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Hospital do RS oferece terapia de graça para tratar ansiedade deixada pela enchente

Projeto do Moinhos de Vento amplia equipe em agosto para dar conta da demanda por saúde mental na região

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O Rio Grande do Sul enfrenta enchente com uma frequência que já virou rotina perturbadora. Cada episódio deixa prejuízo material visível e um efeito menos discutido: o desgaste psicológico de quem viveu a perda ou o medo dela.

O Hospital Moinhos de Vento decidiu tratar esse desgaste como problema de saúde pública. Criou o Recomeçar RS, financiado pelo PROADI-SUS, programa do Ministério da Saúde que permite a hospitais privados de excelência prestar serviço gratuito ao SUS. O projeto já soma 917 sessões de apoio psicológico realizadas em 19 municípios gaúchos.


O trabalho começa antes da terapia. Equipes fazem busca ativa nas comunidades, identificando sintomas de ansiedade, depressão e estresse pós-traumático. Essa triagem já resultou em 575 avaliações concluídas. Quem apresenta sintomas é encaminhado a um programa de sete encontros semanais, baseado em protocolo da Organização Mundial da Saúde.

Hoje, 182 pessoas seguem em acompanhamento. Outras 94 já completaram o ciclo inteiro do tratamento. Para sustentar esse ritmo, o hospital mantém 8 supervisores e 18 facilitadores treinados no território. Uma nova etapa de capacitação começou nesta semana e deve formar mais 30 facilitadores até o fim de agosto, além de um curso on-line voltado a profissionais de saúde que atuam em contextos de desastre.


O psiquiatra Christian Kieling, que coordena a iniciativa no Moinhos de Vento, defende que o modelo aplicado é enxuto e sustentado por evidência internacional, pensado para ajudar quem convive com o peso emocional do pós desastre. Para ele, a experiência também serve de base para o país estruturar, daqui para frente, estratégias de cuidado em saúde mental voltadas para emergências climáticas.

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O Recomeçar RS tem previsão de dois anos de duração. Além do atendimento direto, o projeto forma facilitadores e supervisores na própria comunidade, o que deve ampliar a capacidade de atendimento nos próximos meses. A população interessada pode se inscrever no site.

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