Cafeicultura exige precisão no manejo para enfrentar clima e manter produtividade
Especialista destaca importância da correção do solo, gestão da informação e adubação estratégica para aumentar a resiliência das lavouras
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Diante de um cenário de maior instabilidade climática e pressão sobre custos de produção, o cafeicultor brasileiro precisa ir além das práticas tradicionais para manter produtividade e rentabilidade.
O manejo adequado do solo, o uso eficiente de fertilizantes e a gestão estratégica das informações da propriedade estão entre os principais fatores que determinam o desempenho da lavoura.
No Dia Mundial do Café, o Mundo Agro conversou com Valter Asami, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da Cibra. Ele explicou como tornar o cafezal mais resiliente, evitar erros comuns no manejo e tomar decisões mais assertivas ao longo do ciclo produtivo.

Mundo Agro: Quais ações o produtor pode adotar para tornar a lavoura mais resiliente às adversidades climáticas?
Valter Asami: Eu acredito que parte tudo do princípio desde a fase de implantação da cultura, que seria lá no preparo de solo, antes do plantio da muda. Nós precisamos construir uma fertilidade química do solo adequada, por meio de uma boa correção, por meio de uma boa calagem, principalmente aportando quantidades adequadas de cálcio e magnésio dentro do solo.
Isso automaticamente vai promover a correção da acidez, neutralizando, muitas vezes, o alumínio tóxico que poderia prejudicar o desenvolvimento da cultura do café.
A partir desse momento, entendendo que a correção é um ponto fundamental, por meio de uma boa análise de solo também, a gente faz uma boa recomendação de adubação fosfatada para que tenhamos uma boa implantação e um bom desenvolvimento do sistema radicular da cultura do café.
Partindo desse princípio, com a cultura já estabelecida, iniciamos então o olhar para o manejo de adubação de cobertura, relacionado à adubação de manutenção de produtividade, ou seja, uma adubação relacionada ao potencial produtivo da cultura do cafeeiro.
E, quando falamos desse momento, a assertividade, o momento adequado e a fonte adequada vão permitir um bom aproveitamento desses nutrientes, o que naturalmente fará com que a planta expresse seu melhor potencial produtivo e se mantenha mais resiliente, principalmente diante de adversidades climáticas.
Mundo Agro: Quais são os erros mais comuns na cafeicultura hoje e como evitá-los?
Valter Asami: Na verdade, essa pergunta é muito complexa, tendo em vista que a cultura do café é uma cultura perene. Ela passa por diferentes ciclos e adversidades. Então, falar de erros, muitas vezes, está muito relacionado a entender realmente a fisiologia da planta e o momento mais adequado para aquele tipo de nutriente que a planta está exigindo. Outro ponto importante é entender a fonte, quando, como e a quantidade que queremos aplicar, para que possamos ser mais assertivos nas recomendações da nutrição da cultura do café. Portanto, é fundamental ter um bom histórico do solo e um bom diagnóstico do desenvolvimento da planta, além do histórico de produtividade, para entender a sazonalidade de produção anual ou bienal.
Nesse sentido, é importante fazer um bom monitoramento das demandas nutricionais relacionadas ao potencial produtivo e, principalmente, ao momento e à fonte adequada, para que possamos ter assertividade no aproveitamento dos nutrientes.
Mundo Agro: Quais são hoje os principais desafios para manter produtividade e rentabilidade na cafeicultura?
Valter Asami: Eu acredito que um dos pontos fundamentais está na gestão da informação, que está relacionada ao custo de produção e ao monitoramento de toda a operação, incluindo os encargos envolvidos.
Esse custo de produção vai ser convertido principalmente no potencial de produtividade, a partir do momento em que o produtor realiza investimentos que, naturalmente, devem gerar retorno em rentabilidade.
Então, mais do que falar apenas em produtividade, correlacionar rentabilidade está diretamente ligado a uma boa gestão da informação, além do nível de investimento que se deseja alcançar dentro do grau de tecnologia adotado na cafeicultura.
Mundo Agro: Como a adubação impacta a produtividade e a qualidade do café?
Valter Asami: A adubação tem impacto direto, mas precisa ser feita de forma estratégica. Não basta escolher uma fórmula padrão de NPK. É essencial monitorar o solo e a planta para entender quais nutrientes estão em falta e quais são as reais necessidades da lavoura.
Em alguns casos, é necessário dar um passo atrás e corrigir o solo antes de investir em adubação de produção. Um solo bem preparado melhora o aproveitamento dos fertilizantes e potencializa os resultados.
Além disso, cada fase da cultura exige um manejo diferente. O fósforo, por exemplo, é mais importante na implantação, enquanto nitrogênio e potássio ganham destaque na fase produtiva. O equilíbrio entre esses nutrientes, baseado em análise e monitoramento, é o que garante maior produtividade e qualidade.
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