Conta de luz pesa no campo, e agro busca saída no sol
Geração própria ganha espaço em atividades como irrigação, ordenha, refrigeração e climatização

O consumo de energia no campo vem crescendo, acompanhando a expansão da irrigação e a eletrificação de diferentes atividades.
Em São Paulo, o setor agropecuário passou de 2.880 GWh em 2012 para 3.799 GWh em 2021, alta de 32%, segundo estudo da Unesp e do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), com base em dados da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (SEMIL). Entre 2017 e 2022, a eletricidade também se tornou a principal fonte de energia do agro paulista, superando o óleo diesel.
Com a alta do consumo, a geração própria de energia solar passou a ser opção de produtores que buscam reduzir gastos e depender menos da rede elétrica, principalmente em áreas mais afastadas dos grandes centros.
“Estamos presenciando a transição da energia como um custo operacional inevitável para a energia como gestão de risco. Em um agronegócio hiper-conectado e automatizado, garantir a própria fonte de energia e sua estabilidade é a única forma de blindar a operação contra a volatilidade das tarifas e a precariedade da rede em áreas remotas”, disse Filipe Cardoso, CEO da EletroBidu.
Um exemplo é o projeto instalado pela empresa no Sítio Novo Mundo, em Ibiúna (SP). Com 511 módulos fotovoltaicos, o sistema gera, em média, 28 mil kWh por mês. Segundo a EletroBidu, a instalação proporciona uma economia anual estimada em R$ 336 mil.
Outra tecnologia em crescimento são as baterias. Os sistemas de armazenamento permitem guardar o excedente produzido pelos painéis solares para uso posterior e podem funcionar como reserva em atividades que dependem de fornecimento contínuo, como câmaras frias, incubadoras e sistemas de ordenha. Em algumas propriedades, também podem reduzir o uso de geradores a diesel.
“Para o produtor, a bateria agrega uma camada adicional de segurança e gestão. Ela permite armazenar energia quando há disponibilidade e utilizá-la no momento mais adequado para a operação. Com a queda dos custos da tecnologia, essas aplicações começam a fazer mais sentido econômico, especialmente em atividades nas quais uma interrupção de energia pode gerar perdas relevantes”, afirmou Cardoso.
Para Fabio Lima, diretor-executivo da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (ABSAE), a expansão das baterias acompanha o aumento da demanda por energia no campo.
“O armazenamento ganha espaço no agronegócio em um momento de convergência entre necessidade e oportunidade. De um lado, cresce a demanda por energia para irrigação e eletrificação das operações; de outro, a rápida redução dos custos das baterias torna essa solução cada vez mais acessível. O resultado é uma tecnologia que aumenta a competitividade do produtor e fortalece a segurança energética no campo”, disse Lima.
O acesso a crédito pode ajudar a acelerar esse movimento. O Plano Safra 2026/2027 prevê linhas de financiamento para sistemas de geração e armazenamento de energia renovável, ampliando as possibilidades de investimento dos produtores.
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