Logo R7.com
RecordPlus

Minas Gerais exporta R$ 45,6 bilhões e reforça a força estratégica do agronegócio

Em um setor marcado por riscos e negócios familiares, preservar o patrimônio construído no campo exige planejamento muito além da próxima safra

Mundo Agro|Fabi GennariniOpens in new window

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window
Entenda alguns dos desafios atuais do agronegócio
Entenda alguns dos desafios atuais do agronegócio

O Mundo Agro abre a porteira para uma reflexão sobre a força e os desafios do agronegócio brasileiro. Em artigo, o advogado e especialista em planejamento patrimonial no agro Wallison Lima analisa os números do setor e os riscos enfrentados por quem produz. Mais do que movimentar bilhões, o campo também constrói patrimônios, famílias e negócios que precisam ser protegidos e planejados para o futuro.

Wallison Lima, CEO do escritório Lima & Benevides Advogados e empresário no planejamento patrimonial voltado ao agronegócio Foto cedida: Wallison Lima

“ O agronegócio de Minas Gerais movimentou R$ 45,6 bilhões em exportações no primeiro semestre de 2026. Mais do que um número expressivo, o resultado revela a força de um setor que permanece entre os principais motores da economia brasileira, mesmo diante de um cenário marcado por desafios climáticos, oscilações de preços, aumento dos custos e incertezas que impactam diretamente quem produz.


Como advogado e especialista em planejamento patrimonial voltado ao agronegócio, acompanho de perto a realidade de produtores rurais e empresas que fazem o campo brasileiro funcionar. Por isso, acredito que números como os registrados por Minas Gerais precisam ser analisados para além das estatísticas. Por trás de cada resultado existem famílias, trabalhadores, empresas e cadeias produtivas inteiras que dependem da atividade rural.

O desempenho das exportações mostra, antes de tudo, a capacidade de adaptação do produtor. O campo brasileiro convive diariamente com riscos que não estão sob seu controle. Uma mudança no regime de chuvas pode alterar completamente uma safra. Uma variação cambial interfere na formação dos preços. O aumento dos insumos impacta a margem de produção. Ao mesmo tempo, o produtor precisa lidar com crédito, legislação, exigências ambientais, questões tributárias e insegurança jurídica.


Ainda assim, a produção continua.

É justamente essa capacidade de enfrentar adversidades que considero uma das principais características do agronegócio brasileiro. Mesmo quando a receita total apresenta retração em relação ao período anterior, determinadas cadeias conseguem avançar, conquistar novos mercados e ampliar sua participação no comércio internacional.


Isso não acontece por acaso. O produtor rural brasileiro investe, busca tecnologia, profissionaliza a gestão e procura maneiras de tornar sua atividade mais eficiente. A imagem de um campo exclusivamente baseado em métodos tradicionais já não corresponde à realidade de grande parte do agronegócio nacional. Hoje, inovação, gestão, planejamento e conhecimento técnico são tão importantes quanto a própria capacidade produtiva.

Outro aspecto que merece atenção é a diversificação dos mercados. A presença de produtos brasileiros em 166 países representa uma vantagem estratégica. Quanto maior a quantidade de compradores, menor a dependência de um único mercado e maiores as possibilidades de expansão para as cadeias produtivas.


Também é importante observar o avanço de produtos com maior valor agregado. O crescimento da industrialização da soja, por exemplo, mostra que o Brasil pode ampliar sua participação no mercado internacional não apenas como fornecedor de commodities, mas também como produtor de bens capazes de gerar mais renda, empregos e desenvolvimento regional.

Esse movimento tem um efeito que vai muito além da propriedade rural.

Quando o agronegócio cresce, uma extensa cadeia econômica é movimentada. Cooperativas, transportadoras, indústrias, armazéns, empresas de tecnologia, prestadores de serviços, comércio e instituições financeiras são diretamente impactados pela atividade. O dinheiro que nasce no campo circula por diferentes setores e chega a municípios inteiros.

É por isso que defender o agronegócio não significa defender apenas o produtor rural. Significa reconhecer a importância de toda uma cadeia que contribui para a geração de empregos, renda, arrecadação e desenvolvimento econômico.

Mas, para que esse potencial continue sendo explorado, é preciso discutir também a segurança de quem produz.

Na minha atuação profissional, percebo diariamente que o produtor rural não administra apenas a produção. Ele administra riscos. Precisa pensar no clima, no mercado, no crédito, nos contratos, na sucessão familiar, na estrutura empresarial e na proteção do patrimônio construído ao longo de décadas.

Esse último ponto merece atenção especial.

Por trás de muitas propriedades rurais existem histórias familiares que atravessam gerações. São patrimônios construídos com muito trabalho e que, muitas vezes, representam o principal legado de uma família. O produtor não trabalha apenas para a próxima safra. Ele trabalha para manter uma atividade que pode ser transmitida aos filhos e netos.

Por isso, planejamento patrimonial e sucessório não podem ser tratados como assuntos secundários. A profissionalização da gestão patrimonial é uma ferramenta importante para reduzir conflitos, organizar a sucessão e preservar o patrimônio familiar diante das mudanças que inevitavelmente ocorrerão ao longo do tempo.

Da mesma forma, segurança jurídica precisa estar no centro das discussões sobre o futuro do setor. O produtor precisa de previsibilidade para investir. Precisa saber quais regras serão aplicadas, quais são seus direitos e como estruturar sua atividade de maneira juridicamente segura.

O resultado de Minas Gerais mostra que o agronegócio continua competitivo mesmo diante de um cenário adverso. Mas também serve como alerta: a força do setor não pode ser usada como justificativa para ignorar os desafios enfrentados por quem está na ponta.

Os R$ 45,6 bilhões movimentados nas exportações representam muito mais do que uma cifra. Representam trabalho, investimento, tecnologia, famílias e milhares de negócios conectados ao campo.

O agronegócio brasileiro tem capacidade para continuar crescendo, conquistar novos mercados e gerar ainda mais valor. Para isso, porém, é necessário criar um ambiente de maior segurança jurídica, planejamento, acesso ao crédito e estímulo à inovação.

Valorizar o campo é reconhecer quem produz. É compreender que, antes de chegar ao mercado internacional, cada produto passa pelas mãos de alguém que assumiu riscos, investiu recursos e apostou na próxima safra.

E, quando olhamos para resultados como o de Minas Gerais, fica evidente que essa aposta continua fazendo do agronegócio um dos maiores patrimônios econômicos do Brasil."

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

Siga R7 no Google e fique por dentro de tudo que acontece

Seguir no Google

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.