O vinho e o tempo
Entre o legado de 26 gerações e a tecnologia, Piero Antinori propõe uma nova forma de pensar o futuro da vitivinicultura

Em um momento em que a palavra “crise” domina boa parte das discussões sobre o mercado mundial do vinho — seja pelas mudanças climáticas, pela queda do consumo ou pelas transformações no comportamento do consumidor — o produtor italiano Piero Antinori escolheu outro caminho.
“Não quero falar de crise. Quero falar de mudanças”, afirmou durante o talk show I Tenori del Vino Italiano, realizado em Cortina d’Ampezzo, na Itália.

Antinori é um dos mais influentes produtores de vinho do mundo. Sua família produz vinhos na Toscana há mais de seis séculos e é um dos maiores símbolos da vitivinicultura italiana.
Para ele, o maior o maior desafio da vitivinicultura contemporânea é como falar do vinho hoje.
“Não percebemos a transformação que está acontecendo na cultura e na sociedade. E continuamos falando do vinho como falávamos há 30 ou 40 anos,” ressaltou.
E foi o contraste entre legado e inovação que mais chamou minha atenção.
“A tecnologia foi a invenção mais positiva para o bem do vinho e para o prazer de consumi-lo.” E vai além: “No vinho, como em tantos outros setores, sempre há algo novo para inventar,” ponderou.
E, assim, Antinori desmonta, um dos mitos mais do segmento: a ideia de que o melhor caminho é simplesmente reproduzir o passado.
“A ideia de fazer vinho exatamente como faziam nossos avós já foi superada. Hoje precisamos olhar para a frente,” concluiu.
A mudança faz parte da jornada mágica da produção do vinho. Mas o legado da identidade e da origem continua sendo seu maior patrimônio.
O desafio não é escolher entre tradição e inovação, e sim fazer com que caminhem juntas.
*A jornalista Fabi Gennarini viajou a convite da Italian Trade Agency*
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