O vinho que nasce entre Alpes e Mediterrâneo
Em Termeno, no norte da Itália, clima, altitude e trabalho de gerações moldam vinhos de elegância e personalidade

No extremo norte da Itália, onde as montanhas dos Alpes encontram a influência do Mediterrâneo, está Termeno, uma das localidades mais emblemáticas do Alto Adige.
É ali que o vinho nasce do encontro entre pedra, montanha, clima e pessoas.
“A nossa região é especial pela união entre a influência do Mediterrâneo e o ambiente alpino. Essa combinação, junto com a altitude e a diferença de temperatura entre o dia e a noite, permite preservar os aromas e a frescura dos vinhos,” disse Willi Stürz, da Cantina Tramin.
A Cantina Tramin nasceu em 1898 e hoje reúne centenas de famílias produtoras. A cooperativa representa uma forma de preservar o conhecimento transmitido entre gerações.
“É muito importante ter uma boa comunicação com os produtores durante todo o ano, não apenas na época da colheita. Eu moro em Termeno e conheço todas as famílias. Conhecer as pessoas e os seus vinhedos faz parte do nosso trabalho”, disse Willi.
A geologia tem papel fundamental na personalidade dos vinhos da região. Grande parte dos vinhedos é marcada pela presença da rocha calcária dolomítica, uma formação que influencia diretamente o equilíbrio e a expressão aromática das uvas.
“A maior parte dos nossos vinhedos é influenciada pela rocha calcária dolomítica. É uma característica muito importante da nossa região e acredito que ela contribui para a precisão, a elegância e a acidez que encontramos nos nossos vinhos,” ponderou.
Entre as variedades mais emblemáticas está a Gewürztraminer, uva que encontrou em Termeno uma de suas expressões mais reconhecidas.
“Na nossa zona, o Gewürztraminer tem uma expressão muito particular. A terra calcária favorece a concentração dos aromas terpênicos, trazendo esse caráter mais picante e exótico que é uma assinatura da variedade,” disse.
Com vinhedos distribuídos entre diferentes altitudes e microclimas, a Cantina Tramin trabalha cada parcela de maneira individualizada. A colheita manual e o acompanhamento próximo dos agricultores fazem parte de uma filosofia que valoriza o detalhe.

A mudança climática também trouxe novos desafios para os produtores. Em períodos mais quentes e secos, o manejo da água e o cuidado com o solo tornam-se cada vez mais importantes.
Mas a essência permanece a mesma: compreender a natureza e respeitar o ritmo da vinha.
*A jornalista Fabi Gennarini viajou a convite da Italian Trade Agency*
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