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Padarias vendem mais para menos clientes e mostram mudança no bolso do consumidor

Faturamento cresce 3,24% até maio, mesmo com queda de 2,31% nas visitas; ticket médio aumentou 5,75% e produção própria já representa mais de 70% das vendas

Mundo Agro|Fabi GennariniOpens in new window

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Brasileiro vai menos à padaria, mas gasta mais Foto cedida: Lessafre Brasil

O brasileiro está indo menos à padaria, mas gastando mais quando aparece por lá. É o que mostram os números do setor nos primeiros cinco meses de 2026. O faturamento das padarias e confeitarias cresceu 3,24% em relação ao mesmo período do ano passado, mesmo com uma queda de 2,31% no número de visitas.

O ticket médio subiu 5,75% no período, segundo levantamento do Instituto de Desenvolvimento das Empresas de Alimentação (IDEAL), apresentado durante o Summit Panificação 360°.


O movimento mostra uma mudança importante no consumo. Com menos gente passando pelas lojas, as padarias precisam fazer com que cada visita renda mais — seja oferecendo produtos de maior valor, seja criando novas ocasiões de consumo.

E há outro dado que chama atenção: a produção própria já responde por 70,59% do faturamento das padarias brasileiras. É o maior percentual da série recente e mostra que o setor está apostando cada vez mais naquilo que é feito dentro da própria loja.


“A desaceleração do crescimento para 3,24% e a queda de fluxo deixam claro que o crescimento seguirá baseado na capacidade de atrair o cliente à loja em seus variados momentos de consumo. Para retormarmos o número de visitações é preciso ampliar a atratividade dos produtos e das experiências, tendo o digital como um caminho para aumento de competitividade. E claro, os pontos de produtividade e gestão seguem como pilares, especialmente nesse segundo semestre que promete ser aquecido”, disse Emerson Amaral, consultor empresarial e idealizador do Summit Panificação 360°.

A produção própria também coloca a eficiência no centro da conversa.


“A produção própria é o grande diferencial competitivo da padaria brasileira. Quando mais de 70% do faturamento vem de itens fabricados internamente, qualquer variação de padrão ou perda por envelhecimento na gôndola afeta diretamente o lucro. A Lesaffre atua para entregar padronização, sabor autêntico e aumentar o shelf-life com soluções como a massa madre viva líquida, permitindo que o panificador entregue a qualidade exigida pelo consumidor, enquanto possibilita previsibilidade de custos”, destacou André Tesini, diretor Comercial e Marketing de Panificação da Lesaffre Brasil.

É uma discussão que interessa também ao agro. Afinal, é na transformação dos ingredientes em alimentos que boa parte do valor da cadeia é construída. Trigo, farinha, fermentos e outros insumos ganham valor quando chegam ao consumidor na forma de um pão, um doce, um salgado ou outro produto pronto para o consumo.


E o velho pão francês continua tendo papel importante nessa história. Ele representa 6,88% do faturamento das padarias e teve crescimento de 7,30% nas vendas em valor nos primeiros cinco meses do ano. O volume vendido aumentou 3,10%, enquanto o preço médio subiu 4,20%, chegando a R$ 21,73 o quilo.

Para o setor, o desafio agora é transformar cada visita em uma compra maior — sem perder de vista o custo, a produtividade e a margem. E, nesse jogo, a capacidade de produzir melhor pode ser tão importante quanto a capacidade de vender mais.

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