Produtor mais seletivo muda estratégias das empresas de insumos no campo
Com margens mais apertadas e crédito restrito, agricultores estão mais criteriosos nas decisões de compra, enquanto empresas precisam demonstrar o retorno de suas soluções

O produtor rural está mais seletivo na hora de investir. Com margens apertadas, crédito mais restrito e maior oferta de tecnologias, a decisão de compra deixou de ser apenas uma comparação entre marcas e produtos. Agora, cada investimento precisa disputar espaço com outras necessidades da propriedade e mostrar que pode contribuir para o resultado do negócio.
“Hoje o produtor não compra apenas uma tecnologia. Ele avalia onde cada investimento gera mais retorno para o negócio como um todo. Isso muda completamente a forma como as empresas precisam se posicionar”, disse Carulina Pfingstag, executiva com mais de duas décadas de atuação no setor.
Na prática, um novo defensivo ou fertilizante não concorre apenas com outras soluções da mesma categoria. O investimento pode disputar espaço no orçamento com máquinas, infraestrutura, irrigação ou capital de giro. Por isso, apresentar apenas atributos técnicos já não basta.
As empresas precisam mostrar de que maneira suas soluções podem gerar retorno, reduzir riscos e melhorar a rentabilidade da propriedade.
A maior oferta de tecnologias também tornou mais difícil diferenciar produtos apenas por suas características técnicas.
“O produtor quer entender como aquela decisão melhora o resultado do negócio, não apenas como o produto funciona”, explicou.
Essa mudança deve aproximar marketing, vendas e assistência técnica. Para o agricultor, pouco importa qual departamento está por trás de uma recomendação ou de um contato comercial. Todos esses pontos de interação formam uma única percepção sobre a empresa.
Quando marketing, área comercial e equipes técnicas trabalham de forma desconectada, mensagens diferentes podem comprometer a credibilidade da marca. Já empresas que conseguem alinhar estratégia, comunicação, recomendação técnica e atendimento transformam consistência em confiança.
A regionalização também deve ganhar espaço. As diferenças entre as regiões produtoras brasileiras fazem com que culturas, sistemas de produção, canais de distribuição, acesso ao crédito e perfil dos agricultores variem significativamente.
Com isso, estratégias nacionais tendem a dar lugar a ações mais adaptadas às características de cada mercado. Campanhas, relacionamento comercial e posicionamento podem ser ajustados de acordo com a realidade de cada região.
Ao mesmo tempo, o avanço da agricultura digital e da inteligência artificial não deve diminuir a importância do relacionamento com o produtor.
“A tecnologia continuará evoluindo, mas a confiança permanece sendo um ativo que não pode ser automatizado. As empresas que conseguirem ajudar o produtor a tomar melhores decisões serão as que construirão relações mais duradouras”, concluiu.
A mudança, portanto, não está apenas na forma de comprar. Está também nos critérios usados pelo produtor para escolher seus fornecedores.
E as empresas que conseguirem compreender melhor a realidade do campo, demonstrar o retorno de suas soluções e construir relações de confiança terão mais chances de se tornar parceiras de longo prazo do agricultor. Mais do que oferecer mais opções, o desafio será ajudar o produtor a tomar a melhor decisão.
✅Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp













