A revolta dos “aspones”: O que Saboia, Manning e Snowden têm em comum?
Servidores públicos ignoram comando e agem segundo seus princípios
Internacional|Fábio Cervone, colunista do R7

Edward Snowden, Bradley (ou Chelsea) Manning e Eduardo Saboia representam uma nova era de insurgência contra a centralização e as arbitrariedades do Estado. Todos os três pertenciam à máquina governamental, mas ignoraram seus treinamentos e, estimulados por seus ideais, enfrentaram as autoridades burocráticas de seus países.
A história é repleta de "traidores da pátria" que se opuseram aos comandos nacionais e favoreceram inimigos ou revoluções. Mas, nos últimos anos, ocorreram diversos casos de desobediência por parte de funcionários públicos considerados confiáveis. Tal movimento denuncia o crescimento de uma nova tendência subversiva contra o poder estatal.
O revolucionário Snowden, que trabalhava para a secreta e criteriosa NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA), o polêmico Manning, que pertencia ao poderoso Exército norte-americano, e o inesperado ato do diplomata brasileiro Saboia, pertencente ao tradicional e renomado Itamaraty, são exemplos que explicitam condutas vindas do próprio aparato do Estado para privilegiar causas nobres em detrimento da “ordem”.
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Estes fenômenos simbolizam que a responsabilidade das instituições públicas vai além da administração dos governos.
Os vazamentos dos documentos secretos nos EUA indicam a demanda popular contemporânea por transparência. A arquitetura e efetiva fuga do senador boliviano, aparentemente, foram motivadas por valores humanistas, alegou o próprio Saboia. Estes e outros exemplos recentes compartilham de um mesmo ideal: para os novos insurgentes do funcionalismo, existe algo maior e mais relevante que as decisões políticas das repartições públicas.
Assim, aparentemente as causas consideradas humanitárias estão penetrando na máquina estatal, contaminando pouco a pouco seus operários. Pode-se dizer que as instituições públicas, mesmo as mais seletivas, estão cada vez mais suscetíveis às mudanças sociais.
O soldado Mannig foi condenado a 35 anos de prisão, mas suas palavras lidas pelo seu advogado foram emocionantes e explicitaram suas intenções democráticas.
Snowden é um fugitivo internacional e está protegido por um exílio temporário na Rússia. Entretanto, ele é indiscutivelmente o pivô de revelações que afetam o mundo inteiro.
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Dentro do seu contexto, Saboia, incomodado com a passividade do seu comando diante de uma situação potencialmente calamitosa, agiu por conta própria em defesa de seus princípios.
Estes três mosqueteiros ainda serão motivo de muito debate, mas já possuem grandes grupos de militantes favoráveis às suas iniciativas. O enobrecimento destes atos só indica que a lealdade dos famosos “aspones” foi colocada em questão. Provavelmente, novos revolucionários da burocracia estatal devem surgir, o que provoca calafrios em muitas autoridades governamentais.











