José Graziano: geração de emprego e aumento do salário mínimo tiraram o Brasil do Mapa da Fome
Presidente do Instituto Fome Zero, porém, alertou: 'Não está resolvido o problema, tem que manter essas políticas'
Jornal da Record News|Do R7
Em entrevista ao Jornal da Record News nesta terça-feira (28), José Graziano, ex-diretor da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) e diretor do Instituto Fome Zero, explicou os fatores que contribuíram para o Brasil sair do Mapa da Fome. "O problema não é de falta de produção. Nos anos 60, o Brasil correu um risco sério de ter uma grande fome generalizada que foi resolvido graças à modernização empreendida na agricultura", argumenta.
"Hoje, não temos um problema de falta de produto. O problema é de falta de renda. Por isso, gerar emprego e aumentar o salário tem uma resposta tão rápida. Em dois anos praticamente", afirma Graziano
Graziano também fez críticas à gestão do governo anterior, afirmando que o Brasil negligenciou políticas públicas de alimentação. "O que aconteceu no passado foi que, a partir de 2019, ou antes, o Brasil descuidou disso. Aquilo que era uma política de Estado, presente na nossa Constituição, de garantir uma alimentação saudável para todos os brasileiros, não foi cumprido. O governo deixou de lado uma série de políticas, congelou, por exemplo, o valor das transferências para a merenda escolar e acabou com o programa de compras da agricultura familiar, entre outras medidas", critica.
Além disso, o ex-diretor da FAO destacou que "muitas atitudes negligenciaram a política de combate à fome, para não falar no desemprego que ocorreu durante a pandemia, sem uma resposta à altura para manter essa população desocupada, mas com renda."
Apesar dos avanços, Graziano alerta que a fome no Brasil ainda não está resolvida: "Não está resolvido o problema da fome no Brasil. É necessário manter essas políticas."
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