ABCS lança plataforma que reúne dados da suinocultura brasileira e fortalece decisões do setor
Ferramenta inédita consolida indicadores de produção, exportação, custos, crédito e emprego com base em fontes oficiais
Agronegócios|Do R7, com RECORD NEWS
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A ABCS (Associação Brasileira de Criadores de Suínos) lançou uma plataforma inédita que reúne informações estratégicas sobre a suinocultura brasileira em um único ambiente. A ferramenta disponibiliza indicadores sobre produção, exportações, custos de produção, crédito rural, empregos e outros dados de interesse para produtores, indústrias e agentes do mercado.
Com mais de 42 mil empregos diretos gerados e cerca de 626 mil matrizes tecnificadas, o setor passa a contar com acesso facilitado a informações que antes estavam dispersas em diferentes bases de dados. Segundo o consultor de mercado da ABCS, Iuri Machado, a iniciativa atende a uma demanda antiga da cadeia produtiva.

A plataforma reúne dados de fontes oficiais e realiza atualizações automáticas de acordo com a periodicidade de cada base, garantindo confiabilidade e precisão das informações.
De acordo com Machado, a centralização dos dados fortalece a capacidade de análise do setor e contribui para decisões mais estratégicas por parte dos produtores. “E uma das ferramentas que o produtor tem que ter para reduzir o impacto das crises, mitigar as crises ou se preparar para elas é justamente a informação. Ele tendo informações mais precisas e frequentes a respeito de como está o mercado, como está o comportamento das exportações e da produção, tem mais elementos para tomada de decisão”, afirma.
Inicialmente, o acesso à plataforma será aberto ao público por meio do site da entidade. No futuro, no entanto, algumas áreas poderão ser exclusivas para associados, empresas contribuintes do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura e parceiros da ABCS.
Além de disponibilizar indicadores históricos, a expectativa é ampliar gradualmente as funcionalidades da ferramenta. A associação pretende incorporar modelos capazes de apontar tendências para os próximos meses e anos. A entidade ressalta ainda que todas as informações utilizadas são públicas e que os dados privados seguem as normas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), preservando a identidade de produtores e empresas.
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Entre os indicadores disponíveis estão os custos de produção, com destaque para a alimentação animal, que representa aproximadamente 70% dos gastos da atividade. A plataforma também permite acompanhar a evolução dos preços do milho e do farelo de soja em diferentes regiões do país, possibilitando comparações entre os principais estados produtores.
Outra funcionalidade é o acompanhamento detalhado da produção e das exportações brasileiras de carne suína. Dados da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) mostram que o primeiro semestre de 2026 foi o melhor da história para os embarques do setor. Entre janeiro e junho, as exportações somaram 794,2 mil toneladas, volume 10% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.
Apesar do desempenho positivo, o crescimento das exportações não foi suficiente para absorver o aumento da produção nacional, que avançou cerca de 7% no período. Como apenas um quarto da carne suína produzida no Brasil é destinada ao mercado externo, a maior oferta interna acabou pressionando os preços recebidos pelos produtores.
“A exportação cresceu bem, mas não foi suficiente para enxugar o excedente da produção, já que ela representa em torno de 25% da destinação da nossa produção”, explica Machado.
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A plataforma também oferece recortes estaduais. Santa Catarina, por exemplo, segue como líder nacional da atividade. Em 2025, o estado respondeu por aproximadamente 30% da produção brasileira de carne suína, com o abate recorde de mais de 17 milhões de animais e a produção de cerca de 1,6 milhão de toneladas de carcaças. O estado também se destaca pela presença em mercados internacionais exigentes, como Japão e Coreia do Sul, favorecido pelo elevado status sanitário.
Outro diferencial da ferramenta é a disponibilização de informações sobre o mercado de trabalho. Os usuários podem acessar dados relacionados à remuneração média, perfil etário dos trabalhadores e número de empregos gerados pela cadeia produtiva, ampliando a compreensão sobre a relevância econômica da suinocultura no país.
Embora o setor enfrente atualmente um cenário de oferta elevada e preços pressionados, a avaliação da ABCS é que os custos de produção estão mais favoráveis do que na última grande crise, registrada há cerca de dois anos. Naquele período, além da queda nas cotações dos suínos, insumos como milho e farelo de soja atingiram níveis recordes de preço.
Para o segundo semestre, a expectativa é de estabilização e possível recuperação gradual dos preços, impulsionada pelo aumento sazonal da demanda. Ainda assim, a recomendação aos produtores é manter atenção à gestão dos custos, à eficiência produtiva e à produtividade das granjas, em um cenário de margens reduzidas e mercado ainda desafiador.
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