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‘Poder individual’ no STF: Dino rebate críticas e diz que turmas confirmam 97% das decisões

Em artigo, magistrado responde a questionamentos em torno de determinações monocráticas dos integrantes da Suprema Corte

Brasília|Jéssica Eufrásio, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O ministro Flávio Dino defende as decisões monocráticas no STF, argumentando que não refletem autoritarismo, mas regras jurídicas que evitam colapso jurisdicional.
  • Dino menciona que 97% das decisões individuais são confirmadas pelo colegiado, indicando que seguem a jurisprudência do tribunal.
  • O artigo destaca a necessidade dessas decisões para lidar com o aumento de processos, enfatizando a carga do STJ com 323 mil casos pendentes.
  • O ministro conclui propondo uma reforma no Judiciário para lidar com anomalias e admite que o 'poder individual' deve sempre estar alinhado com o ordenamento jurídico.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Ministro Flávio Dino mencionou que STF profere cerca de 500 decisões colegiadas por semana Gustavo Moreno/STF – 28.04.2026

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino publicou um artigo, nesta segunda-feira (11), no qual aborda o “poder individual” na Corte e comenta críticas feitas, em especial, às decisões monocráticas de magistrados.

Dino argumenta que essas determinações, assinadas por um ministro — mas passíveis de julgamento colegiado — não resultam de um “suposto pendor autoritário” ou de “personalismos”. Em vez disso, representam a “expressão de regras jurídicas” as quais, se não fossem observadas, levariam a um “colapso jurisdicional”. O texto foi publicado no site da Carta Capital.


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Para rebater às “críticas frequentes” de que há “excesso de poder individual” no STF, devido às decisões monocráticas e “com prejuízo da colegialidade”, o ministro acrescentou que o número de processos para julgamento nas turmas da Corte aumentaria “dezenas de vezes” se elas tivessem de, obrigatoriamente, analisar todos os processos.

Isso levaria a mais lentidão na Justiça e a uma “inviabilização da prestação jurisdicional”, segundo ele. Dino ressaltou que o STF profere, em média, 500 decisões colegiadas por semana, o que, segundo ele, não chega à quantidade total julgada em um ano por outros tribunais do planeta.


O magistrado sustenta que os poderes atribuídos aos relatores — que proferem decisões individuais — garantem o funcionamento e a segurança jurídica do sistema, com adoção de medidas coerentes baseadas em casos iguais ou similares.

“Vale lembrar que tais decisões monocráticas podem ser submetidas ao colegiado, mediante recurso das partes. [...] Em 97% dos casos, os colegiados confirmaram-nas, uma vez que expressam a jurisprudência consolidada no tribunal. Por conseguinte, a imensa maioria das decisões monocráticas espelha a posição do colegiado, não a vontade individual de cada julgador.”


O ministro acrescentou que os relatores também levam em conta pareceres do Ministério Público e que o STJ (Superior Tribunal de Justiça) tem 323 mil processos no aguardo de julgamento, o que impediria um “enxugamento” das atribuições do Supremo caso a destinação das demandas fosse transferida àquela Corte.

‘Esquemas de enriquecimento ilícito’

O artigo menciona que o “poder pessoal” dos ministros cresceu nos últimos 30 anos em razão das “virtudes e dos múltiplos papéis que o tribunal tem exercido, inclusive por força de crises decisórias em outros ramos do Estado, mas, acima de tudo, em virtude da expansão do controle de constitucionalidade”.


Para Dino, a participação de ministros do STF em entrevistas e outros tipos de agendas os permite “ouvir pontos de vista diversos”, o que “não atrapalha a função de julgar”. Em seguida, o magistrado deixou um recado: “O que atrapalha são ‘esquemas’ para enriquecimento ilícito, não a esporádica e saudável convivência social entre pessoas de vários segmentos”.

“Os abjetos atos de improbidade ocorrem longe dos olhos e ouvidos do público, em pagamentos ocultos e em reuniões clandestinas, que jamais constarão em um extrato bancário ou em uma agenda oficial. A proteção contra o abuso de ‘poder individual’ de um ministro do STF está na fidelidade ao ordenamento jurídico (normas e precedentes), na fundamentação consistente e na publicidade das decisões, bem como na possibilidade de a parte recorrer a um colegiado”, completou.

Ao concluir o artigo, Dino reiterou que defende uma reforma do Judiciário, em relação a “múltiplas anomalias”, como punições inexistentes ou demasiadamente brandas, bilionárias falcatruas com precatórios e fundos, “penduricalhos” e perigos da inteligência artificial.

“Diagnósticos errados costumam conduzir a argumentos ineptos e a terapias ineficazes ou desastrosas, enquanto os problemas reais seguem circulando como garbosos elefantes azuis, sem que sejam notados ou incomodados”, concluiu Dino.

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