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EXCLUSIVO: Fazenda não combinou alta do IOF nem com o governo, diz Motta

Presidente da Câmara dos Deputados diz que Congresso tem o direito de discordar de medidas propostas pelo governo

Brasília|Tainá Farfan, enviada especial a Lisboa

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Hugo Motta
Hugo Motta defendeu Congresso por derrubar decretos do IOF Reprodução/RECORD - 4.7.2025

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse ao JR Entrevista nesta sexta-feira (4) que o decreto do governo que ampliou alíquotas do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) foi uma “decisão exclusiva da equipe econômica do Ministério da Fazenda” e que a medida não foi combinada antecipadamente com ninguém, nem mesmo com o próprio governo.

A entrevista foi gravada antes da decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes de suspender tanto a decisão do Congresso Nacional que derrubou a norma do governo quanto o decreto presidencial. Além disso, o ministro convocou uma audiência de conciliação sobre o tema para 15 de julho.

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Motta fez a declaração ao ser questionado sobre ele ter decidido pautar de surpresa a votação de uma proposta para derrubar os decretos do governo — na noite de 24 de junho, pelas redes sociais, ele informou que votaria o projeto no dia seguinte. Por causa disso, o governo alega que o Congresso descumpriu um acordo anterior sobre a questão.

“Primeiro ponto. É importante que as pessoas saibam que, quando o governo decidiu no primeiro decreto tomar a iniciativa de aumentar o IOF, não foi combinado com ninguém. Me parece até que nem com o presidente do Banco Central e nem com o próprio governo. Foi uma decisão exclusiva da equipe econômica do Ministério da Fazenda”, disse Motta.

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“Depois da reação negativa, não só do setor produtivo, mas também do Congresso, nós chamamos os ministros para conversar e demos um prazo de 10 dias para que uma solução fosse apresentada, fazendo isso da maneira mais tranquila possível, porque o Congresso poderia naquele momento ter se reunido, já tinha um projeto decreto legislativo protocolado pela oposição. Nós poderíamos ter ido lá, ter derrubado o decreto do dia para a noite, o que na nossa avaliação não seria o mais correto, porque geraria ainda mais instabilidade”, acrescentou.

Motta defendeu a decisão do Congresso de derrubar as normas do Executivo. Segundo ele, mesmo depois de o governo publicar um novo decreto alterando trechos do decreto inicial e apresentar uma medida provisória com outras alternativas para compensar a alta do IOF, a rejeição às propostas do governo continuaram.

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“Tanto o presidente da Câmara como o presidente do Senado são frutos daquilo que é o sentimento de cada Casa. E essa rejeição à medida continuou. Por quê? Porque a reação ao aumento de impostos é uma reação hoje muito latente no Congresso e na sociedade. Nós decidimos pautar a urgência do PDL. A urgência foi pautada e teve quase 350 votos. E depois, no mérito, na Câmara dos Deputados, nós tivemos 383 votos contra a medida que aumentaria os impostos”, destacou Motta.

“Então, esse é o sentimento da Casa. Não é o sentimento do presidente, não é o sentimento de um líder isolado, não é uma coisa do partido aliado, de um partido de oposição. É que a Câmara dos Deputados, o Senado Federal, o Congresso Nacional não entendeu essa medida como uma medida satisfatória. É isso que foi decidido, isso que foi colocado de maneira muito tranquila”, concluiu.

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Segundo ele, “agora nós estamos prontos para retomar o diálogo e poder entender quais são as outras medidas possíveis que têm o apoio político”.

Trechos da entrevista com Hugo Motta serão exibidos durante a programação da RECORD, enquanto a íntegra estará na RECORD News, a partir das 23h desta sexta-feira (4).

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