Exploração do trabalho cresce 79% nos EUA, mas país usa tema para justificar tarifa ao Brasil
Maior parte do período é referente ao primeiro mandato do presidente Donald Trump, que governou de 2017 a janeiro de 2021
Brasília|Giovana Cardoso, do R7, em Brasília
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Em uma nova tarifa punitiva, os Estados Unidos propuseram uma sobretaxa de 12,5% a produtos brasileiros por uma suposta falha no combate ao trabalho forçado no Brasil. Apesar da acusação, o país norte-americano registrou, entre 2017 e 2022, um crescimento de 79% no número de vítimas de exploração do trabalho, que inclui questões como mendicância, trabalho forçado e servidão involuntária.
Os dados, que mostram um avanço de 1.898 para 3.400, são da OIT (Organização Internacional do Trabalho).
A maior parte do período é referente ao primeiro mandato do presidente Donald Trump, que governou de 2017 a janeiro de 2021. Especificamente neste intervalo, o país também registrou aumento no número de vítimas de exploração do trabalho, que saltou de 1.898 para 2.337 (23%).
Já estimativas gerais da Walk Free, organização sem fins lucrativos, apontam que ao menos 1 milhão de pessoas estejam vivendo em situação de escravidão moderna no país atualmente. O número é similar ao calculado para o Brasil, de 1.053.000.
Mesmo com as críticas ao Brasil, um relatório da Walk Free aponta que o maior número estimado de pessoas na escravidão moderna inclui alguns dos países mais populosos da região — Brasil, EUA e México. Três em cada cinco pessoas na escravidão moderna nas Américas são exploradas em um desses países.
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Em outra comparação, agora envolvendo a resposta do governo quanto ao combate à escravidão moderna, o Brasil teve nota 51 de um total de 100. Os Estados Unidos atingiram 67 pontos.
Alta nos casos de exploração
Além da exploração do trabalho, o país norte-americano vem registrando um crescimento constante nos casos de exploração sexual. Neste caso, definido por qualquer situação em que o sexo seja coagido ou exigido por retenção ou ameaça de retenção de bens ou serviços ou por chantagem.
O número de vítimas registradas entre 2017 e 2022 é maior quando comparado com questões ligadas apenas ao trabalho. Com um salto de 5.104 para 10.166, os Estados Unidos tiveram um crescimento de 99% em seis anos.
Os dados mais recentes divulgados pelo governo de Donald Trump, obtidos pela Linha Direta Nacional de Tráfico Humano dos EUA, são de 2024 e mostram o registro de 6.647 situações de tráfico sexual, 2.220 situações de tráfico de trabalho e 1.360 situações que incluíam tráfico sexual e de trabalho.
Apenas por esse canal, entre 2019 e 2024, os EUA registram alta de 80% nas denúncias sobre tráfico de trabalho.
Trabalho forçado no Brasil
A alegação, usada como justificativa para taxar o Brasil, surge um dia depois de a administração do país propor uma tarifa de 25% sobre os produtos importados brasileiros, após concluir que as práticas do país eram desleais em uma série de questões, desde o comércio digital até o desmatamento ilegal.
Informações divulgadas pela OIT sobre o trabalho forçado no Brasil mostram apenas o número de vítimas identificadas entre 2018 e 2020. Nesse período, houve um aumento de 355%, quando os casos saltaram de 72 para 328. Ainda assim, o último valor é inferior ao registrado no mesmo período nos EUA, de 2317.
Durante a elaboração da matéria, o Radar SIT, ferramenta pública de transparência ativa sobre a atuação da Inspeção do Trabalho, estava fora do ar.
Entretanto, dados da SmartLab, projeto em parceria com a OIT e o Ministério Público do Trabalho, apontam que o Brasil, em 2024, teve 2.101 vítimas resgatadas do trabalho escravo.
Nova taxa
Após impor a tarifa punitiva de 25% sobre diversas importações do Brasil, a administração de Trump apresentou uma nova sobretaxa de 12,5% a todos os produtos brasileiros por falha no combate ao trabalho forçado.
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