Felipe Vorcaro: saiba quem é primo de Daniel Vorcaro, preso na operação Compliance Zero
Investigado era responsável por interligar as decisões estratégicas do grupo à execução de movimentações financeiras
Brasília|Giovana Cardoso, do R7, em Brasília
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Preso na manhã desta quinta-feira (7) durante a quinta fase da Operação Compliance, que apura fraudes no Banco Master, Felipe Cançado Vorcaro é primo de Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira, e apontado como integrante do núcleo financeiro da organização investigada. Nesta fase, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) também foi alvo de busca e apreensão.
O R7 tenta localizar a defesa de Cançado. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.

Ainda segundo as investigações, Cançado era responsável por interligar as decisões estratégicas do grupo à execução de movimentações financeiras e societárias, ligadas principalmente ao parlamentar. Entre as atividades supostamente executadas por ele estão a gestão de pagamentos mensais ao senador Ciro Nogueira e a tentativa de ocultação de provas.
“Os investigadores apontam ter sido Felipe quem operacionalizou a chamada “parceria BRGD/CNLF”, ligada aos pagamentos mensais em favor do senador, correspondentes, inicialmente, ao valor de R$ 300 mil, com indícios de que teriam sido posteriormente aumentados para a importância de R$ 500 mil“, aponta o documento.
A BRGD S.A. é uma empresa sediada em Nova Lima/MG que, segundo as investigações, atuava como a fonte primária dos valores movimentados em um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro. O diretor da companhia é o pai de Felipe, Oscar Vorcaro.
Na decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, o magistrado justifica a prisão por suposta corrupção, operações de lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial e continuidade delitiva.
Plano estratégico
Presidente da empresa Green Investimentos, voltada para a gestão de recursos, Felipe usava “contratos de gaveta” para contornar mecanismos de fiscalização e restrições de acordos de acionistas. Apesar de estar à frente da instituição, o primo de Vorcaro se afastou da presidência como uma tentativa de ocultar sua relevância no esquema, informou a Polícia Federal.
Além disso, na estruturação dos negócios do grupo, Felipe usou contratos de gaveta para ocultar movimentações societárias e dividendos. A PF informou que o objetivo era garantir que a operação não ingressasse no “radar de eventuais mecanismos de fiscalização” e contornasse restrições de acordos de acionistas.
O investigado chegou a ser procurado durante a segunda fase da operação, porém fugiu 18 minutos antes da chegada dos policiais.
“O cenário encontrado — quarto aberto, ar-condicionado em funcionamento, roupas de cama desarrumadas e pertences pessoais deixados para trás — evidencia abandono abrupto do imóvel, sem qualquer indicativo de planejamento prévio regular. Contudo, paralelamente, verificou-se a ausência completa de dispositivos eletrônicos pessoais, notadamente aparelhos de telefonia e computadores, o que demonstra que a evasão foi acompanhada de retirada seletiva de objetos diretamente relacionados à investigação”, diz o documento.
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Nova fase
A quinta fase da operação Compliance Zero investiga a possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos.
O senador Ciro Nogueira é apontado como destinatário central de vantagens indevidas. Em troca, ele teria usado o mandato parlamentar em favor dos interesses privados do banqueiro Vorcaro. As ações ocorreram no Piauí, em São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal.
A defesa de Ciro Nogueira informou que repudia “qualquer ilação de ilicitude” sobre as condutas do parlamentar e ressaltou que o senador “não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados”.
“Medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas cortes superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas”, completaram os advogados.
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