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Ligação de Lula a Trump pode destravar tarifaço, mas cartada preocupa governo e especialistas

Ministros confirmaram telefonema, enquanto especialistas avaliam como uma demonstração de pragmatismo diplomático

Brasília|Edis Henrique Peres e Luiza Marinho*, do R7, em Brasília

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RESUMO DA NOTÍCIA

  • A possível ligação entre Lula e Trump pode ajudar nas negociações comerciais sobre tarifas.
  • Ministros alertam que essa relação não deve ser confundida com "telemarketing" ou subserviência.
  • O Brasil é insistente nas negociações, mas a abertura para conversas depende dos EUA.
  • Preparação é essencial para garantir um diálogo respeitoso entre os dois países.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Telefonema é visto como possível estratégia para diálogo Marcelo Camargo/Agência Brasil - 08.07.2025

A hipótese de uma ligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o republicano Donald Trump começa a ser avaliada por integrantes do Executivo e do Legislativo como um recurso capaz de destravar a negociação que busca reduzir as tarifas de 50% anunciadas pelos Estados Unidos e que entram em vigor nesta sexta-feira (1º).

Faltando dois dias para o início da taxação, interlocutores do Palácio do Planalto e ministros do governo avaliam uma estratégia para que o contato telefônico cumpra o papel esperado.

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Nos bastidores, comenta-se que Lula estaria disposto a realizar a ligação desde que o próprio Trump atenda. Entretanto, em declarações públicas, membros do governo alertaram para a necessidade de cautela na abordagem.

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que o diálogo entre chefes de Estado não pode ser tratado como “telemarketing”. Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ressaltou que a negociação não pode ser marcada por “viralatismo” ou subserviência do Brasil (veja mais abaixo).

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Especialistas ouvidos pelo R7 classificam essa iniciativa como um gesto pragmático, que revela o esgotamento dos canais diplomáticos tradicionais sob a ótica da política externa.

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Narrativas estratégicas

João Felipe Marques, cientista político pela UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) e mestrando em Ciência Política pela UnB (Universidade de Brasília), avalia que o envolvimento pessoal do presidente indica que o tema ultrapassou a alçada ministerial e demanda capital político direto.

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“Esse movimento também reflete pressão do setor produtivo brasileiro, preocupado com prejuízos relevantes pela imposição das tarifas. No plano doméstico, há um ganho político ao sinalizar disposição para o diálogo”, analisa.

Graduado em Relações Internacionais e especialista em análise de risco político pela FGV, João Cândido observa que essa postura, em tese, fortalece a posição brasileira no cenário internacional.

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E reforça a imagem de um país que privilegia seus interesses estratégicos acima de disputas político-partidárias.

“Um telefonema para Trump não significa adesão ao trumpismo ou contradição às bandeiras democráticas defendidas por Lula. Pelo contrário, demonstra que o Brasil está aberto a dialogar com todos os interlocutores relevantes, mesmo aqueles com quem houve embates públicos”, destaca.

‘Não é telemarketing’

Na manhã desta terça-feira (29), Gleisi Hoffmann conversou com jornalistas no Itamaraty e enfatizou que o Brasil tem insistido nas negociações comerciais.

“Queremos negociar e temos o que negociar. Soberania e democracia brasileiras não estão em discussão. O presidente Lula sempre deixou isso claro, não entra na mesa de negociação”, afirmou.

Indagada sobre a possível ligação, Gleisi ressaltou que “Trump não deseja conversar agora”.

“Não adianta o presidente Lula buscar um contato unilateralmente. Uma negociação entre dois chefes de Estado exige preparação dos negociadores. Não é telemarketing, em que se pega o telefone e ‘se colar colou’”, comparou Hoffmann.

Segundo ela, todo o processo demanda tempo. “Lula nunca recusou diálogo, mas isso só ocorrerá quando os Estados Unidos também estiverem abertos à conversa e à negociação comercial”, avaliou.

A ministra reforçou que agentes brasileiros mantêm interlocução com o governo americano.

“O vice-presidente Geraldo Alckmin tem conversado com seu par nos Estados Unidos, o secretário de Comércio Howard Lutnick, e o ministro Fernando Haddad dialoga com o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent. Porém, ainda não recebemos retorno oficial”, lamentou.

Na mesma linha, Fernando Haddad defendeu que a postura brasileira não deve ser submissa.

“Quando dois chefes de Estado conversam, existe preparação prévia para evitar que um país subordine o outro. Há protocolos mínimos, um arranjo diplomático. São dois países soberanos; não é um correndo atrás do outro. O Brasil é grande, e isso não é arrogância, mas uma postura digna à mesa de negociação”, explicou.

O ministro afirmou que outras conversas de Trump com líderes mundiais “não foram respeitosas”.

“É preciso preparação para garantir respeito, para que os dois povos se sintam valorizados e não haja sentimento de viralatismo ou subordinação. Isso é respeito ao povo”, acrescentou.

Ainda segundo João Felipe Marques, o discurso de Haddad contrapõe duas abordagens diferentes. Negociar não equivale a se submeter, e o governo tenta preservar autonomia política diante de um cenário delicado.

Marques acredita que Lula adota discurso firme em relação às tarifas, o que ajuda a protegê-lo contra acusações de subserviência.

“Enquanto houver reciprocidade e margem para barganha, dificilmente setores críticos colarão essa imagem. A interpretação predominante deve ser a de um presidente que, mesmo em situação desfavorável, busca preservar espaço de manobra para o Brasil”, conclui.

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