Núcleos com policiais federais e hackers deram apoio às fraudes do Master, aponta PF
Integrantes forneciam dados sigilosos e monitoravam possíveis inimigos do esquema
Brasília|Bruna Pauxis, do R7, em Brasília
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As investigações da PF (Polícia Federal) sobre o esquema envolvendo o Banco Master apontaram para a existência de uma sofisticada estrutura de inteligência e repressão cibernética que atuava para proteger interesses vinculados ao Banco Master e à família Vorcaro.
As informações foram detalhadas em decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que resultou no cumprimento da sexta fase da Operação Compliance Zero, nesta quinta-feira (14).
Segundo o documento judicial, a organização criminosa mantinha uma “polícia paralela” dividida em dois núcleos operacionais distintos, ambos sob a coordenação estratégica de Felipe Mourão. As atividades do grupo iam desde a obtenção clandestina de dados sigilosos até o monitoramento telemático ilícito de autoridades e desafetos.
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Núcleos da organização
- “A Turma”: composto por policiais federais (da ativa e aposentados), além de operadores do jogo do bicho. Este grupo focava em levantamentos de campo, obtenção de informações internas em sistemas do governo e intimidações.
- “Os Meninos”: formado por agentes com perfil hacker, este núcleo era remunerado para fazer invasões cibernéticas, derrubada de perfis em redes sociais, monitoramento ilegal e a possível destruição ou ocultação de evidências digitais que pudessem comprometer o esquema.
O ministro André Mendonça enfatizou na decisão que a estrutura contava com o financiamento direto de Henrique Moura Vorcaro, que mantinha contato frequente com os operacionais para encomendar “serviços” de monitoramento e coação.
Na manhã desta quinta-feira (14), a PF cumpriu sete mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão. Entre os alvos principais estão agentes públicos que usavam seus cargos para favorecer a organização.
Saiba quem foram os alvos:
- Valéria Vieira Pereira da Silva
Delegada de Polícia Federal, foi alvo de mandado de busca e apreensão e foi afastada do cargo. É investigada por supostamente repassar informações sigilosas de sistemas da PF (e órgãos internacionais como FBI e Interpol) para o grupo de Henrique e Daniel Vorcaro.
“No caso de Valéria os elementos reunidos indicam que sua atuação teria ido além de mera proximidade com investigados, assumindo papel relevante no fornecimento de informações sigilosas ao grupo criminoso denominado ‘A Turma’”, afirma a decisão.
Ainda segundo o texto, a investigação aponta que a delegada teria acessado, sem justificativa funcional, um inquérito policial conduzido pela Superintendência Regional da PF em São Paulo, embora estivesse lotada, desde 2006, na Delegacia de Polícia Fazendária em Minas Gerais, sem qualquer atribuição relacionada ao procedimento.
- Francisco José Pereira da Silva
Marido de Valéria, é agente aposentado da PF. Ao lado de sua esposa, ele teria sido responsável por intermediar o envio de dados obtidos por meio de consultas indevidas ao sistema e-Pol a Marilson Roseno, líder operacional da organização.
Investigações indicaram, também, que Francisco mantinha relação “próxima e de confiança” com Marilson, comprovada por registros telemáticos, contatos armazenados e conversas pessoais, além de indícios de exclusão de mensagens entre os envolvidos, sugerindo preocupação em ocultar os rastros da comunicação.
- Marilson Roseno da Silva
Apontado como o líder operacional do núcleo ‘A Turma’, Marilson é, também, policial federal aposentado e é descrito pelas investigações como o “elo” vital entre os mandantes e os executores do esquema. Segundo a Polícia Federal, Marilson coordenava atividades de monitoramento, intimidação e obtenção de dados sigilosos.
As provas indicam que, mesmo antes de se aposentar, ele usava o sistema e-Pol para abastecer a organização com informações reservadas. A gravidade de sua atuação é reforçada pelo fato de que, mesmo preso, Marilson continuou recebendo informes sobre diligências policiais externas, o que motivou o pedido de sua transferência para o Sistema Penitenciário Federal, visando neutralizar sua influência e interromper sua comunicação com a rede que permanece ativa fora do cárcere.
- Anderson Wander da Silva Lima
Agente da Polícia Federal da ativa, é apontado como o executor de ordens de Marilson dentro da corporação. De acordo com a investigação, o agente era responsável por fazer ou articular consultas ilícitas nos sistemas internos da Polícia Federal.
As informações sigilosas eram repassadas a Marilson e, posteriormente, usadas para beneficiar Daniel Vorcaro, Felipe Mourão e outros integrantes da organização. A PF aponta, ainda, que Anderson recebia vantagens financeiras em troca desses vazamentos e aproveitava-se do fato de estar na ativa para acessar dados privilegiados.
Defesas
Por meio de nota, o advogado de Henrique Moura Vorcaro, Eugênio Pacelli, afirmou que a decisão “se baseia em fatos cuja comprovação de respectiva licitude e cujo lastro de racionalidade econômica ainda não estão no processo”, “porque não foram solicitados à defesa” nem ao empresário.
“O ideal seria ouvir as explicações antes de medida tão grave e desnecessária. Cuidaremos imediatamente de demonstrar o que estamos a dizer ainda hoje [quinta-feira]”, completou o advogado.
A reportagem não havia conseguido contato com as defesas dos demais mencionados até a mais recente atualização deste texto. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.
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