Guerra no Irã completa 6 meses com a economia como principal campo de batalha
Sem conseguir forçar a rendição iraniana após meses de ataques, EUA passaram a apostar mais fortemente na pressão econômica
Internacional|Do R7
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A guerra entre Estados Unidos e Irã completa seis meses nesta quinta-feira (27) sem um acordo de paz ou uma definição sobre o fim dos combates. Desde os primeiros ataques, em 28 de fevereiro, a ofensiva já deixou milhares de mortos, atingiu instalações militares e nucleares iranianas, abalou a economia do país e transformou o estreito de Ormuz em um dos principais pontos de tensão para o mercado mundial de energia.
O conflito começou com uma ofensiva conjunta de Estados Unidos e Israel contra alvos iranianos. A principal justificativa apresentada por Washington foi impedir que Teerã avançasse em direção à construção de uma arma nuclear.
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Os ataques, que culminaram na morte do líder supremo Ali Khamenei, causaram grandes perdas às forças iranianas. Em maio, o almirante Brad Cooper, principal comandante militar americano no Oriente Médio, afirmou ao Congresso que os Estados Unidos haviam destruído 161 embarcações iranianas e colocado fora de operação 82% dos sistemas de defesa aérea do país. A Força Aérea iraniana também perdeu boa parte de sua capacidade operacional.
Mesmo assim, Teerã preservou parte de seu arsenal. Uma avaliação americana divulgada pela Reuters em março indicava que os EUA acreditavam ter destruído aproximadamente um terço dos mísseis iranianos. A situação de outra parcela permanecia incerta, especialmente porque parte dos armamentos estava armazenada em túneis e estruturas subterrâneas. O país também continuou usando drones e mísseis contra alvos militares e marítimos na região.
Dentro do Irã, a guerra foi acompanhada por uma intensificação da repressão. A ONG Iran Human Rights afirma que pelo menos 511 pessoas foram executadas no país desde o começo de 2026. Entre elas, 29 teriam ligação com protestos antigovernamentais de janeiro. A organização também contabilizou 16 mulheres e 13 pessoas classificadas como presos políticos entre os executados.
Outro dos principais efeitos internacionais da guerra ocorreu no estreito de Ormuz, passagem marítima localizada entre o Irã e Omã por onde circula aproximadamente 20% do petróleo comercializado no mundo. A redução do tráfego elevou os preços da commodity, aumentou os custos de transporte e seguros e trouxe preocupações sobre uma possível crise econômica global.
O impacto sobre a economia mundial, porém, ficou abaixo de alguns dos cenários mais pessimistas previstos no início da guerra. O Fundo Monetário Internacional reduziu duas vezes sua projeção de crescimento desde janeiro e agora estima expansão global de 3% em 2026, contra 3,1% na previsão anterior.
Sem conseguir forçar uma rendição iraniana após meses de ataques, Washington passou a apostar mais fortemente na pressão econômica. O governo Trump ameaça punir países e empresas que mantenham relações financeiras com Teerã, enquanto o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, pediu que governos reduzissem seus vínculos com a República Islâmica.
Trump diz que EUA não estão negociando com o Irã
Trump afirmou na quinta-feira (27) que os Estados Unidos não estão negociando atualmente com o Irã. A Casa Branca, no entanto, afirma que mantém todas as opções sobre a mesa. A estratégia anunciada neste momento é aumentar a pressão econômica até que Teerã aceite negociar de forma considerada significativa.
Antes da atual fase de pressão econômica, os dois países chegaram a anunciar um acordo provisório em junho, em uma tentativa de interromper os combates. A trégua, no entanto, não conseguiu se sustentar e o conflito voltou a escalar, deixando novamente sem avanço uma solução diplomática.
Agora, outros países, como o Catar, tentam abrir espaço para a diplomacia. O primeiro-ministro catariano visitou Teerã na quinta-feira e discutiu com autoridades iranianas uma proposta para criar um corredor marítimo temporário no estreito de Ormuz. A iniciativa prevê facilitar a circulação de embarcações e realizar operações para retirada de minas na região.
O programa nuclear iraniano continua sendo outro ponto de incerteza. Ataques americanos e israelenses atingiram três das principais instalações conhecidas de enriquecimento de urânio do país e locais relacionados às atividades nucleares.
Em maio, avaliações da inteligência americana apontaram que o tempo necessário para o Irã produzir material físsil suficiente para uma arma nuclear segue em até um ano. Ainda assim, não é possível determinar com precisão o que restou do programa. Inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica não retomaram plenamente o acesso às instalações, que guardariam um estoque de aproximadamente 440 quilos de urânio enriquecido a 60%.
Os Estados Unidos também enfrentam custos militares elevados. Um relatório do Serviço de Pesquisa do Congresso registrou a perda de 42 aeronaves americanas durante o conflito, em ataques ou acidentes. Segundo a Reuters, o consumo de determinados mísseis de precisão também reduziu significativamente os estoques disponíveis.
Já as reservas de sistemas defensivos sofreram pressão semelhante. Estimativas indicaram que cerca de 65% dos interceptadores Patriot haviam sido utilizados até julho, enquanto o estoque de interceptadores THAAD caiu pelo menos 38%.
Para sustentar a operação, Washington deslocou caças, navios de guerra (incluindo o USS Abraham Lincoln) para o Oriente Médio. O prolongamento da missão aumentou o desgaste das forças americanas e levantou preocupações sobre a capacidade de resposta dos EUA diante de eventuais crises em outras partes do mundo.
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