EUA barram Polestar a partir da linha 2027, mas mantêm Volvo autorizada
Departamento de indústria e segurança veta marca sueca do grupo Geely replicando restrições com outros chineses

A decisão do governo dos Estados Unidos de impedir a venda de novos modelos da Polestar a partir do ano-modelo 2027 representa mais um capítulo da disputa comercial e tecnológica entre Washington e Pequim. O Departamento de Comércio, por meio do Bureau of Industry and Security (BIS), negou autorização para que a marca sueca controlada pela Geely continue comercializando veículos conectados no país.

Na prática, a medida impede a chegada de futuros lançamentos da fabricante, incluindo o aguardado Polestar 7, embora a empresa mantenha as vendas do estoque atual e o suporte aos clientes que já possuem veículos da marca nos Estados Unidos.

O caso chama atenção porque outra empresa pertencente ao mesmo conglomerado chinês, a Volvo Cars, recebeu autorização formal para continuar operando normalmente no mercado norte-americano. A diferença evidencia que o governo dos EUA passou a analisar individualmente a estrutura tecnológica e societária de cada fabricante, e não apenas a origem de seu controlador.
Polestar tinha presença limitada, mas apostava no crescimento
Embora seja um dos mercados estratégicos para qualquer fabricante premium, os Estados Unidos representavam apenas uma pequena parcela das operações globais da Polestar.

A empresa vendeu 60.119 veículos em todo o mundo em 2025, crescimento de 34% sobre o ano anterior. Desse total, apenas cerca de 6% vieram do mercado norte-americano, o equivalente a algo próximo de 3,6 mil unidades. A própria companhia informou que 94% de suas vendas já ocorrem fora dos EUA.
O portfólio disponível aos consumidores americanos era composto por três modelos principais:
* Polestar 2: sedã elétrico que inaugurou a marca no país e teve suas unidades esgotadas ao longo de 2025;
* Polestar 3: SUV elétrico de luxo produzido também em Charleston, na Carolina do Sul;
* Polestar 4: SUV cupê elétrico fabricado na Coreia do Sul para abastecer o mercado norte-americano.

Mesmo com produção local do Polestar 3, a nacionalidade da fábrica não foi suficiente para contornar a nova regulamentação. O foco das autoridades passou a ser o software embarcado, a conectividade e a origem dos sistemas utilizados nos veículos.
Volvo segue autorizada e vende mais de 120 mil carros por ano
O contraste com a Volvo é significativo. Também controlada pela Geely desde 2010, a montadora sueca recebeu autorização específica do governo norte-americano para continuar importando e comercializando seus veículos conectados nos Estados Unidos.

A relevância comercial da marca ajuda a explicar o peso da decisão. Em 2025, a Volvo vendeu 121,6 mil veículos nos EUA, uma queda de 2,9% em relação ao ano anterior, mas suficiente para manter o país como seu segundo maior mercado global, atrás apenas da China.
Globalmente, a fabricante encerrou 2025 com 710.042 automóveis vendidos, dos quais quase metade correspondia a modelos eletrificados, incluindo híbridos plug-in e elétricos puros.

Além disso, a Volvo mantém uma estrutura industrial consolidada nos Estados Unidos e já confirmou o desenvolvimento de um novo modelo híbrido destinado especificamente ao consumidor norte-americano.
Software é o “problema”, diz governo
A Connected Vehicle Rule, criada inicialmente durante a gestão Biden e mantida pela atual administração Trump, proíbe veículos que utilizem softwares e componentes de comunicação vinculados à China ou à Rússia.
O escopo inclui tecnologias como Bluetooth, Wi-Fi, conexões celulares e sistemas via satélite além de câmeras, sensores e plataformas de condução autônoma e telemetria.
O argumento oficial é a proteção da segurança nacional e dos dados dos cidadãos americanos. Para Washington, carros conectados funcionam como plataformas digitais capazes de coletar informações sobre localização, hábitos de condução e infraestrutura crítica.
✅Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp















