Kia avalia operação própria no Brasil, mas futuro da parceria com o Grupo Gandini ainda depende de negociação
Importadora afirma que eventual transição está condicionada à construção de uma fábrica no país e à definição de tratativas com o Governo Federal

A possibilidade de uma mudança na operação da Kia no Brasil voltou a movimentar o setor automotivo após informações divulgadas pelo jornalista João Anacleto apontarem que a fabricante sul-coreana estuda encerrar a parceria de décadas com o Grupo Gandini, responsável pela importação e distribuição da marca no país.

O Grupo Gandini confirmou que existem negociações envolvendo a Kia, o Governo Federal e um possível projeto industrial para o Brasil. No entanto, ressaltou que ainda não há qualquer definição sobre o futuro da operação.

“Existe a negociação da Kia com o Governo Federal para o perdão da dívida e construção da fábrica, porém ainda não houve uma definição sobre o assunto. Caso o cenário se concretize, vamos começar a negociar o processo de transição. Agora, se o governo não perdoar a dívida, seguirei à frente do negócio”, afirmou José Luiz Gandini.

A declaração indica que uma eventual mudança no comando da Kia no Brasil dependerá da conclusão das negociações para a implantação de uma fábrica no país. Somente após essa etapa, segundo Gandini, seriam iniciadas conversas sobre uma possível transição da operação atualmente conduzida pelo grupo brasileiro.

O Grupo Gandini representa oficialmente a Kia no Brasil desde o início da atuação da marca no mercado nacional e foi responsável pela consolidação de modelos que marcaram a trajetória da fabricante no país, como Besta, Sportage, Sorento, Cerato, Carnival e Picanto. Nos últimos anos, a operação passou a concentrar esforços na renovação da linha, com a chegada da nova geração do Sportage e dos elétricos EV5 e EV9.

Nos últimos meses, a própria Kia reforçou o interesse em ampliar sua presença na América Latina, enquanto o mercado brasileiro voltou a ganhar relevância dentro dos planos globais da fabricante. A possibilidade de produção local é discutida há anos, mas nunca avançou para uma fase de implementação.

Até o momento, não há confirmação oficial da Kia Corporation sobre o encerramento da parceria com o Grupo Gandini, tampouco cronograma para uma eventual fábrica no Brasil. Assim, qualquer mudança dependerá do desfecho das negociações em andamento entre a montadora, o Governo Federal e o atual representante da marca no país.
Caso um acordo seja firmado, a Kia poderá iniciar uma nova fase de sua operação brasileira, deixando o modelo baseado exclusivamente na importação. Até que isso ocorra, o Grupo Gandini seguirá responsável pelas atividades comerciais, de pós-venda e pela rede de concessionárias da fabricante no país.
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