EQA 250 2023: testamos o SUV compacto elétrico mais barato da Mercedes
Crossover é o mais em conta da linha elétrica Mercedes-Benz, mas custa R$ 480,9 mil, bem mais que seus rivais diretos com motor elétrico
Autos Carros|Marcos Camargo Jr e Marcos Camargo Jr.

A Mercedes-Benz é mais uma das marcas premium que passam por um processo de franca eletrificação. Saindo do sistema híbrido leve, os modelos de todo o portfólio ganham, pouco a pouco, versões 100% elétricas. O EQA é fruto dessa nova geração de veículos elétricos da marca da estrela. O senão, sem querer frustrar a expectativa de ninguém, é que ele custa R$ 480 mil, o elétrico mais em conta da linha à venda no Brasil.

O EQA 250 2023 é praticamente um GLA para as novas gerações. Ganha aprimoramentos aerodinâmicos com a grade fechada, o visual clássico e os faróis unidos em grades ou elementos plásticos de conjunto único. Tem 4,47 m de comprimento, 2,27 m de entre-eixos, 1,62 m de altura e 1,83 m de largura. Possui quase as mesmas dimensões do GLA, o que muda são apenas 6 cm de vantagem por causa do estilo dos parachoques. E ele tem apenas cinco lugares, e não sete, como o irmão EQB que nós já testamos.

Feito sobre a plataforma MFA2, recebeu todas as mudanças para acomodar o motor 100% elétrico dianteiro de 190 cv e bons 39,2 kgfm de torque posicionado na dianteira e sem tração integral 4Matic, o que é uma pena. Ele pesa 2.040 kg e tem porta-malas de apenas 340 litros, menos que os 420 do GLA por causa das baterias de íons de lítio posicionadas na traseira.
Embora tenha o kit visual AMG Line, o EQA não é um esportivo de fato. Na Europa há uma versão de 268cv de tração integral.

Agradável na condução, ele é silencioso e confortável e conta com sistema de assistência à condução Distronic com controle de cruzeiro adaptativo, alerta de ponto cego e todas as funcionalidades do sistema MBUX com comandos de voz, multimídia e cluster de alta resolução e controle de modos de condução com quatro opções. Atrás do volante, o shift paddle controla o nível de regeneração das baterias.

Elas são construídas com íons de lítio igual aos celulares. São 66,5 kwH com sistema de 400 volts que peza 500 kg no total, nada desprezíveis. A promessa na Europa é de quase 500 km de autonomia por carga. Na prática, ele renderá algo em torno de 400 km, podendo ser mais se for usado especialmente na cidade.
O bocal de "abastecimento" é na traseira. São 11 kw de carga em sistemas de wallbox, sendo necessário cerca de sete horas para recarregar totalmente o EQA 250. Em sistemas de alta potência, requer cerca de 29 minutos para ir de 20% a 80% a capacidade da bateria. Ao volante, a condução segura e o bom nível de conectividade são itens de série do veículo elétrico. Ele não tende a descontrolar em nenhum momento, mesmo com carga máxima no acelerador. Pelo contrário, mesmo sem tração integral há bom nível de controle e regeneração das baterias, que funcionam muito bem na cidade.

Com 2.040 kg, o EQA é um tanto pesado para seus 190 cv. Entrega, pelo contrário, nível de equipamentos e construção sólida. Cumpre sua promessa, mas não é capaz de arrancar suspiros como concorrentes que chegam a ter o dobro da potência ou um pouco mais que isso.
Uma pena que tudo isso esbarre no preço de R$ 480,9 mil.

É mais que concorrentes premium como o Volvo XC40, por exemplo, e o BMW iX3 M Sport, que são mais potentes e mais em conta que o EQA 250. Para o fã da marca da estrela, ele será o mesmo bom crossover que o cliente espera sem perder nada em termos de equipamento e acabamento. Mas talvez isso não seja o suficiente para garantir novos clientes que buscam SUVs eletrificados comm base apenas na potência final.















