Brasil tem oportunidade de liderar mercado global de bioinsumos
Mercado de R$ 6,2 bilhões em 2025 reflete a entrada de novos produtores e a ampliação do uso entre quem já adotou as tecnologias

O avanço dos bioinsumos na agricultura brasileira foi um dos temas centrais do III Fórum Bioinsumos no Agro, promovido pela Embrapa, Sistema OCESP e Sociedade Rural Brasileira, com organização da Araiby Feiras e Eventos.
O encontro reuniu especialistas, empresas e lideranças para discutir os avanços tecnológicos, os desafios regulatórios e as oportunidades de um mercado que vem ganhando cada vez mais espaço no campo.
Mais do que uma alternativa aos insumos convencionais, os bioinsumos passaram a integrar de forma estratégica o manejo de muitas propriedades, impulsionados pela evolução das tecnologias e pela comprovação de resultados em produtividade, eficiência e rentabilidade. Em 2025, o mercado movimentou R$ 6,2 bilhões, evidenciando a dimensão e o ritmo de crescimento do setor.
O Mundo Agro conversou com João Adrien, vice-presidente da Sociedade Rural Brasileira.

Mundo Agro: A regulamentação foi um dos temas que abordado no Fórum. O marco regulatório atual acompanha a velocidade de inovação do setor?
João Adrien: A discussão regulatória é fundamental para o desenvolvimento sustentável do mercado de bioinsumos. Estamos falando de um setor que cresce rapidamente e que precisa conciliar inovação, segurança, competitividade e previsibilidade para todos os atores envolvidos.
O desafio dos reguladores é encontrar o equilíbrio entre criar um ambiente favorável ao desenvolvimento tecnológico e, ao mesmo tempo, garantir os padrões de qualidade, eficácia e segurança necessários para o setor. Trata-se de uma agenda complexa, que envolve os interesses de produtores, indústria, comunidade científica e órgãos reguladores.
Por isso, o debate sobre aprimoramento regulatório é tão importante. Uma regulamentação moderna e eficiente pode contribuir para acelerar a inovação, ampliar o acesso às tecnologias e fortalecer ainda mais a competitividade da agricultura brasileira.
Mundo Agro: O que mudou na cabeça do produtor para os bioinsumos deixarem de ser uma alternativa e passarem a fazer parte do manejo?
João Adrien: O principal fator foi a evolução da própria tecnologia. Ao longo dos últimos anos, os bioinsumos deixaram de ser vistos como uma solução experimental e passaram a apresentar resultados consistentes em campo, com ganhos de produtividade, eficiência e rentabilidade. O produtor rural é extremamente pragmático: ele adota aquilo que funciona e gera retorno econômico.
Além disso, o avanço das pesquisas, a melhoria da qualidade dos produtos e o aumento da oferta de soluções adaptadas às diferentes culturas permitiram que os bioinsumos passassem a integrar o manejo de forma estratégica. Hoje, não se trata mais de uma alternativa ao sistema convencional, mas de uma ferramenta complementar e cada vez mais importante para aumentar a eficiência produtiva e a resiliência dos sistemas agrícolas.
Mundo Agro: O mercado movimentou R$ 6,2 bilhões em 2025. O que explica esse aumento? Novos produtores adotando a tecnologia ou quem já usava ampliando o uso?
João Adrien: O crescimento é resultado da combinação desses dois movimentos. Por um lado, há um número crescente de produtores conhecendo e adotando os bioinsumos pela primeira vez. Por outro, aqueles que já utilizavam a tecnologia vêm ampliando sua aplicação em diferentes culturas e etapas do manejo.
Esse avanço também é reflexo do aperfeiçoamento tecnológico e da capacidade do setor de escalar soluções com maior eficiência e previsibilidade de resultados. Os bioinsumos deixaram de ser uma tecnologia de nicho e passaram a ocupar um espaço relevante dentro da estratégia produtiva das propriedades rurais, contribuindo tanto para a produtividade quanto para a gestão de custos e riscos.
Mundo Agro: Os números mostram forte expansão, mas quais ainda são os principais obstáculos para uma adoção maior?
João Adrien: O principal desafio ainda é o conhecimento. Apesar dos avanços observados nos últimos anos, existe um processo contínuo de aprendizado para produtores, técnicos e empresas quanto ao melhor uso dessas tecnologias.
Muitas dúvidas ainda permanecem relacionadas à aplicação, ao retorno econômico, à compatibilidade com diferentes sistemas produtivos e ao melhor modelo de adoção. É importante compreender que bioinsumos não representam apenas a substituição de um produto convencional por outro. Em muitos casos, eles exigem uma mudança de abordagem, com maior atenção à saúde do solo, ao equilíbrio biológico e ao manejo integrado da propriedade.
Como toda tecnologia em expansão, ainda existem desafios técnicos, operacionais e de difusão do conhecimento. No entanto, olhando para o futuro, o cenário é bastante promissor diante dos resultados já alcançados e do crescente interesse do mercado.
Mundo Agro: Como avaliam o Brasil no cenário mundial de bioinsumos?
João Adrien: O Brasil possui uma posição privilegiada e uma oportunidade única de liderança global nesse mercado. Poucos países reúnem simultaneamente uma agricultura em larga escala, condições climáticas favoráveis e uma das maiores biodiversidades do planeta.
Essa combinação cria um ambiente extremamente propício para o desenvolvimento de soluções biológicas adaptadas às necessidades do campo. Além disso, ampliar o uso de bioinsumos fortalece a competitividade do agronegócio brasileiro ao reduzir a dependência de insumos importados e diminuir a exposição a riscos geopolíticos e de interrupções nas cadeias globais de suprimento.
O potencial de inovação que o país possui nesse segmento é enorme e pode consolidar o Brasil como referência mundial em agricultura tropical sustentável.
Mundo Agro: Quais categorias de bioinsumos estão crescendo mais rapidamente e por quê?
João Adrien: Os inoculantes continuam entre as categorias que mais crescem no mercado, principalmente porque seus benefícios já são amplamente reconhecidos pelos produtores. Em diversas culturas, eles demonstram resultados consistentes em produtividade, eficiência nutricional e redução de custos, o que favorece sua rápida adoção.
Além deles, os biofungicidas e outros agentes de controle biológico também vêm apresentando forte expansão. Esse crescimento é impulsionado pela busca por ferramentas mais eficientes para o manejo integrado de pragas e doenças, pela necessidade de diversificar mecanismos de controle e pelo amadurecimento tecnológico das soluções disponíveis.
De forma geral, o mercado cresce à medida que os produtores ganham confiança nos resultados obtidos em campo e incorporam essas tecnologias de forma cada vez mais abrangente em seus sistemas produtivos.
Você pode conferir mais detalhes sobre o fórum @ForumBioinsumosnoAgro
✅Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp













