Brasil tem potencial para uma nova economia da origem
Expansão dos registros reconhecidos pelo INPI revela um mercado ainda pouco explorado

O avanço das Indicações Geográficas (IGs) acompanha uma mudança na percepção sobre os ativos intangíveis.
“O mercado brasileiro está cada vez mais atento ao valor dos ativos intangíveis e à possibilidade de transformar vocações regionais em diferenciais competitivos. Hoje, muitos produtores já compreendem que podem competir não apenas por preço, mas também por reputação, tradição, qualidade e identidade territorial”, disse Fernanda Vilela Coelho, sócia do escritório Montaury Pimenta, Machado & Vieira de Mello.

Nos últimos cinco anos, o número de registros reconhecidos pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) mais do que dobrou, passando de pouco mais de 70 em 2020 para mais de 150 atualmente.
O movimento revela uma transformação na maneira como produtores, associações e entidades de apoio enxergam o potencial econômico dos territórios.
Em vez de competir exclusivamente por preço, regiões produtoras começam a explorar atributos como qualidade, tradição, reputação e identidade como diferenciais capazes de gerar valor.
Apesar de ser mais conhecida por proteger produtos agroalimentares, a Indicação Geográfica pode beneficiar uma gama muito maior de produtos.
O país reúne uma enorme diversidade climática, cultural e produtiva, com potencial para novas Indicações Geográficas em setores como cacau, mel, castanhas, frutas, artesanato e produtos da sociobiodiversidade.
“O próximo desafio será garantir que esses registros se convertam em desenvolvimento regional, acesso a mercados e geração de renda para as comunidades”, concluiu.
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