Mulheres lideram afastamentos por burnout, diz Ministério da Previdência
Afastamentos aumentaram 800% nos últimos quatro anos; jornada tripla de mulheres é uma das causas da exaustão feminina
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As mulheres são as que mais sofrem com afastamentos por ansiedade, burnout e depressão, segundo dados do Ministério da Previdência Social. Ao longo de 2025, cerca de 63% dos benefícios concedidos por incapacidade temporária relacionada à saúde mental foram dadas ao público feminino. Uma explicação é a jornada dupla e tripla que as mulheres precisam fazer para além do trabalho formal.
De acordo com o Ministério, em 2025, dos 546.254 benefícios concedidos, 346.613 foram para mulheres e 199.641 para homens.
Confira ranking dos principais motivos de afastamento:
- Outros transtornos ansiosos - 166.489
- Episódios depressivos - 126.608
- Transtorno afetivo bipolar - 60.904
- Transtorno depressivo recorrente - 60.551
Ao R7 Planalto, a advogada Elizabeth Greco explica que a partir de 2022 o burnout passou a integrar a Classificação Internacional de Doenças (CID-11), da OMS (Organização Mundial da Saúde (OMS), “sendo reconhecida como uma doença ocupacional, porque possui nexo direto com o trabalho, o que certamente contribuiu para a judicialização do tema perante os tribunais trabalhistas”.
“Isso porque, o diagnóstico — diante do caráter ocupacional da síndrome — passa a ser equiparado a acidente de trabalho — e desse reconhecimento decorre a consequente responsabilidade do empregador em indenizar o trabalhador, até mesmo independentemente da comprovação de dolo ou negligência em relação aos riscos psicossociais que levaram ao adoecimento no âmbito do trabalho”, pontua.
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Ela explica que “a responsabilidade da empresa geralmente se configura pela ausência de um meio ambiente de trabalho seguro sob o aspecto da saúde mental, a partir de jornadas de trabalho excessivas, cobrança de metas abusivas, assédio moral ou outras formas de pressão psicológica a partir de uma cultura organizacional impactada por fatores de risco psicossociais”.
Nesse cenário, as tecnologias são um agravante para o adoecimento dos trabalhadores. “O aumento dos casos de adoecimento tem tido como fatores determinantes as novas dinâmicas de trabalho, mais competitivas e que mantém o trabalhador em constante e exaustiva conexão, sobretudo a partir das novas tecnologias”, observa.
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