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Perdas bilionárias, compra do Twitter e polêmicas: o ano de Elon Musk foi cheio de turbulência

O bilionário chegou a perder o posto de 'homem mais rico do mundo' após a queda da valorização da Tesla

Tecnologia e Ciência|Filipe Siqueira, do R7

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Elon Musk viveu 2022 muito intensamente
Elon Musk viveu 2022 muito intensamente

O ano de 2022 foi uma montanha-russa de emoções para Elon Musk, para dizer o mínimo. O empresário perdeu bilhões com a desvalorização das ações da Tesla, chegou a perder também o título de homem mais rico do mundo, e terminou no posto de dono e presidente do Twitter, uma plataforma agora inundada por controvérsias e polêmicas.

Todos esses detalhes ocorreram em um ritmo alucinante, boa parte deles iniciada pelo próprio Musk, um sujeito que gosta de estar no centro dos holofotes.

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Apesar de ser conhecido por comandar a fabricante de carros elétricos Tesla e a empresa aeroespacial SpaceX, o ano do bilionário ficou marcado pelo envolvimento dele na rede social.

Em meados de abril, Musk fez uma proposta de compra integral da plataforma, por US$ 43,2 bilhões. Se aceita pelos acionistas, a empresa teria seu capital fechado e suas ações não seriam mais negociadas em bolsas de valores. Antes da proposta, o bilionário havia comprado 9,2% das ações da plataforma, o que fez a cotação da empresa subir cerca de 20%.

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Na época, muitos se perguntaram dos motivos que levaram o bilionário a fazer uma proposta do tipo. O fato é que Elon Musk sempre teve uma relação próxima com a rede social, onde ele faz anúncios e fala diretamente a uma legão de fãs e apoiadores.

Lança-chamas

Em 2018, por exemplo, ele anunciou a comercialização de um lança-chamas de brinquedo para financiar a Boring Company, uma empresa que prometeu revolucionar os sistemas de trânsito com túneis que transportavam carros e aliviavam o tráfego.

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A empresa até hoje nunca entregou o que prometeu na Califórnia, onde testes foram autorizados, e o lança-chamas se tornou um caso de polícia, por ser considerado uma arma e não um brinquedo.

Para um empresário capaz de ganhar milhões com anúncios do tipo, a compra de uma rede social pequena, mas influente, parecia o passo natural. Mas as coisas se complicaram meses depois...

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Alegando informações falhas sobre bots e contas falsas, Elon anunciou em julho que desistira da compra do Twitter — uma operação que já fora aprovada pelo conselho de acionistas da empresa.

Em 12 de julho, o Twitter processou o sul-africano pela quebra do acordo e o chamou de "hipócrita", além de alegar que a desistência causaria danos irreparáveis à empresa.

Após a batalha judicial esquentar, o empresário voltou atrás novamente e revelou que iria sim comprar a rede social, pelo valor acordado anteriormente — US$ 54,20 (R$ 281,93, no câmbio da época). O anúncio oficial era iminente.

E ocorreu em 27 de outubro, oficializado, claro, em um tuíte, onde Elon afirmou que "não fez isso para ganhar dinheiro". O bilionário prometeu na época também que não demitiria 75% da força de trabalho da empresa, como boatos indicavam, e que a plataforma estaria focada na liberdade de expressão.

Demissões e suspensões em massa

Após a compra, o próprio Musk se tornou CEO do Twitter e passou a comandar as operações diárias e (tentar) enfrentar os desafios da rede social, como fuga de usuários e moderação de conteúdo.

Como especulado anteriormente, o novo dono da rede social fez demissões em massa — algumas delas por engano — que chegaram a 50% da força de trabalho. Nos primeiros dias, mais de 4.000 funcionários foram dispensados.

Os que ficaram passaram a conviver com prazos apertados, falta de planejamento e exigências de ritmos de trabalho "longos e intensos". Com menos gente trabalhando, especulou-se que a rede social poderia simplesmente parar de funcionar lentamente. Milhões de usuários brasileiros chegaram a migrar para a rival indiana Koo.

Em dezembro, Musk contrariou sua declaração de que era um "absolutista da liberdade de expressão" e suspendeu de forma definitiva uma conta que monitorava em tempo real a localização do jato particular dele. Para justificar a ação, ele mencionou uma regra de que contas que divulgassem a localização e colocassem em perigo outras pessoas violariam as regras da rede social.

Nos dias seguintes, a rede social do empresário também suspendeu as contas de diversos jornalistas, vários deles responsáveis por matérias críticas à gestão de Musk, e alegou que os profissionais também divulgaram informações importantes dele. O ato foi interpretado como "arbitrário" e um "precedente perigoso" por autoridades internacionais, que se manifestaram.

A crise culminou com uma enquete criada pelo bilionário, que perguntou se ele deveria abandonar o cargo de CEO do Twitter — 57,2% dos votantes pediram a saída dele.

"Vou renunciar ao cargo de CEO assim que encontrar alguém tolo o suficiente para aceitar o cargo! Depois disso, apenas executarei as equipes de software e servidores", disse ele após finalizar a pesquisa. A troca acabou ficando para 2023.

Queda de ações

As coisas também não andam bem para a Tesla, a montadora de carros elétricos que é a fonte da riqueza de Elon Musk.

Em 2022, o sistema de piloto automático dos veículos da empresa foi investigado por autoridades dos Estados Unidos, após 16 mortes relacionadas à função, desde junho de 2021. O caso, considerado complexo, acompanha também recordes negativos na valorização da empresa.

Na terça-feira (27), as ações da Tesla perderam quase 9% do valor, um acúmulo de 42% de desvalorização em dezembro. A marca péssima fez a empresa ter seu pior mês, trimestre e ano em 2022. Isso fez a Tesla ser a empresa de tecnologia com o pior desempenho do ano, à frente da Meta, que carregava o posto até poucas semanas atrás.

Fabricante Tesla também enfrentou problemas em 2022
Fabricante Tesla também enfrentou problemas em 2022

Os números ruins fizeram com que investidores da empresa começassem a pressionar Musk, que na visão deles parece mais preocupado com o Twitter do que com a montadora. Além de problemas financeiros, a Tesla tem desafios logísticos, principalmente a queda de produção da estratégica fábrica de Xangai, após o governo chinês impor medidas duras para enfrentar a Covid-19.

A própria imagem da empresa parece arranhada, acompanhando a crescente má fama de seu presidente. Clientes passaram a cancelar pedidos de carros por aversão a Elon Musk, enquanto a Tesla oferece descontos nos preços de seus carros, após anos de sucessivos aumentos. Espera-se que em 2023 a empresa também finalmente consiga lançar sua anunciada Cybertruck, uma picape que foi alvo de piadas já no evento de apresentação.

LEIA ABAIXO: Difamação e suspeita de fraude: relembre as maiores polêmicas da carreira de Elon Musk

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