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Saiba quem é Maria Elizabeth Rocha, primeira mulher a presidir o STM em mais de dois séculos

Posse de Maria Elizabeth ocorre em um momento de maior debate sobre a representatividade feminina em tribunais superiores

Brasília|Victoria Lacerda, do R7, em Brasília

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Elizabeth Rocha se torna a primeira mulher a presidir o STM em mais de dois séculos
Elizabeth Rocha se torna a primeira mulher a presidir o STM Divulgação/STM - Arquivo

A ministra Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha, de 64 anos, assume nesta quarta-feira (12) a presidência do STM (Superior Tribunal Militar), tornando-se a primeira mulher a comandar a Corte em 216 anos de história. Seu mandato será válido pelo biênio 2025-2027.

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Maria Elizabeth ingressou no STM em 2007, nomeada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sendo também a primeira mulher a integrar o colegiado. Antes de ocupar o cargo, atuou como procuradora federal e exerceu funções nos três Poderes: assessorando ministros no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) entre 1996 e 1999, trabalhando na Câmara dos Deputados entre 1993 e 1996, e de novo em 2002, além de integrar a Casa Civil da Presidência da República entre 2003 e 2007.

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Com formação em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e doutorado em Direito Constitucional pela Universidade Federal de Minas Gerais, a ministra faz parte da cota civil do STM, que conta com 15 ministros — 10 militares das Forças Armadas e cinco civis.

Um dos objetivos centrais de seu mandato é aprovar no Congresso Nacional uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que autorize a Corte Militar a integrar o CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

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Representatividade feminina em tribunais superiores

A posse de Maria Elizabeth ocorre em um momento de maior debate sobre a representatividade feminina em tribunais superiores. No último sábado (8), Dia Internacional da Mulher, Lula anunciou a indicação da advogada Verônica Abdalla Sterman para compor o STM, reforçando sua promessa de ampliar a presença de mulheres no Judiciário.

A ministra vinha defendendo publicamente a nomeação de outra mulher para a Corte, argumentando que ainda há um desequilíbrio significativo nos espaços de poder. “Ter uma mulher no STM seria uma grande vitória”, afirmou em ocasiões anteriores.

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Embora tenha reforçado sua política de ampliação da presença feminina no Judiciário com a nomeação de Verônica Sterman, Lula tem sido alvo de críticas por priorizar homens na escolha para ministérios e cargos no Executivo. Dados do Censo do Judiciário mostram que 60% dos magistrados no Brasil ainda são homens.

STM e sua atuação na Justiça Militar

O STM tem a função de julgar crimes militares conforme o Código Penal Militar, como deserção e uso de entorpecentes. No entanto, crimes cometidos por militares em contexto civil, como os investigados no caso da tentativa de golpe, são de competência do STF (Supremo Tribunal Federal).

A nova presidente do STM também já manifestou críticas a decisões do próprio tribunal, especialmente no caso da redução de pena de oito militares condenados pela morte do músico Evaldo Santos e do catador Luciano Macedo, mortos a tiros em 2019 durante uma operação de GLO (Garantia da Lei e da Ordem) no Rio de Janeiro. Para Maria Elizabeth, a decisão “manchou” a imagem da Justiça Militar.

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