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Fraudes no INSS: senadores propõem medidas para proteger aposentados e pensionistas

Além do pedido para criação de uma CPMI, senadores apresentaram seis projetos de lei para proteger aposentados

Brasília|Victoria Lacerda, do R7, em Brasília

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Senado reage a fraudes no INSS e propõe medidas para proteger aposentados
Senado reage a fraudes no INSS Rafa Neddermeyer/Agência Brasil - Arquivo

A descoberta de descontos ilegais em benefícios do INSS, revelada pela Operação Sem Desconto da PF (Polícia Federal), provocou a apresentação de seis projetos de lei para proteger aposentados e pensionistas de novas fraudes, além do pedido para criação de uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito). As propostas se somam a um projeto de 2015, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), que prevê devolução em dobro dos valores desviados.

A investigação, conduzida em parceria com a CGU (Controladoria-Geral da União), apontou que, desde 2019, associações e sindicatos firmaram acordos com o INSS para descontar mensalidades diretamente nos benefícios previdenciários — em 97% dos casos, sem autorização dos segurados. O rombo estimado é de R$ 6,3 bilhões.

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Medidas legislativas

O primeiro projeto protocolado após as denúncias foi o PL 1.899/2025, do senador Eduardo Girão (Novo-CE). A proposta exige a revalidação anual das autorizações de desconto, com a apresentação de documento oficial e biometria, conforme previsto na Lei 15.077/2024, que endureceu o acesso ao BPC (Benefício de Prestação Continuada).

Segundo Girão, a medida desestimula fraudes ao forçar as entidades a manterem contato regular com os filiados e facilitar auditorias do INSS. O senador também apresentou o PL 1.901/2025, que atribui responsabilidade objetiva ao INSS por prejuízos causados aos beneficiários — ou seja, o órgão teria de arcar com danos materiais e morais mesmo sem comprovação de culpa.

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O senador Rogério Marinho (PL-RN) sugeriu no PL 2.159/2025 a suspensão por seis meses de descontos ligados a associações e entidades de aposentados, com a retomada condicionada à revalidação expressa.

Já o senador Cleitinho (Republicanos-MG) quer proibir de forma definitiva esse tipo de desconto diretamente nos benefícios do INSS. O PL 2.201/2025 altera a Lei 8.213/1991 para excluir essa possibilidade, sob o argumento de que aposentados podem usar outros meios de pagamento, como débito em conta, cartão de crédito, boleto ou Pix.

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“Recebo denúncias de aposentados sobre isso há mais de um ano. Já em janeiro do ano passado, levei a situação aos órgãos competentes”, afirmou Cleitinho em discurso no plenário.

Na mesma linha, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) apresentou o PL 2.194/2025, que proíbe todos os descontos associativos na folha de pagamento, inclusive os já em vigor. Segundo o texto, interessados em contribuir com entidades deverão fazer os pagamentos por outros meios — como boleto bancário —, e o regulamento da lei deverá detalhar as formas de autorização e fiscalização.

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Devolução dos valores

A devolução dos valores descontados indevidamente é o foco do PL 1.950/2025, do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A proposta obriga o INSS a restituir integralmente os valores cobrados sem autorização expressa e documentada, com prazo de até três meses para o ressarcimento após a publicação da lei ou identificação da cobrança indevida.

O governo federal já iniciou um processo de devolução. A partir desta quarta-feira (14), beneficiários do INSS devem receber, pelo aplicativo Meu INSS, notificação sobre descontos associativos em seus pagamentos. Caso o aposentado ou pensionista informe que não autorizou a cobrança, poderá pedir o reembolso. As entidades terão até 15 dias úteis para comprovar a autorização ou providenciar o ressarcimento.

Projeto antigo volta ao debate

O senador Paulo Paim apresentou o PLS 206/2015, que prevê devolução em dobro dos valores desviados em casos de fraudes. O texto segue aguardando a escolha de relator na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).

Em pronunciamento recente, Paim criticou os desvios e defendeu punição exemplar aos responsáveis. “Esses criminosos feriram profundamente o coração da nossa sociedade. É inadmissível, é repugnante. Os aposentados precisam receber seu dinheiro de volta, custe o que custar”, disse.

Os projetos apresentados após a operação da PF ainda aguardam despacho para análise nas comissões do Senado.

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