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Voo com brasileiros deportados dos EUA não tem relação com medidas de Trump

Países têm acordo sobre o tema desde 2018; outra aeronave com deportados chegou ao Brasil em 10 de janeiro, no governo Biden

Brasília|Ana Isabel Mansur, do R7, em Brasília

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Trump assinou medidas anti-imigração nas primeiras horas de governo Reprodução/Instagram - 28.12.2024

O voo com 88 brasileiros deportados dos Estados Unidos que chega nesta sexta-feira (24) ao país não tem a ver com as recentes medidas anti-imigração do presidente norte-americano, Donald Trump.

O R7 apurou com o Itamaraty que essa não é a primeira viagem do tipo deste ano — outro avião trouxe brasileiros deportados em 10 de janeiro, ainda no governo do ex-presidente Joe Biden. Brasil e EUA mantêm acordo de deportação desde 2018 (leia mais abaixo).

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A aeronave que vai pousar no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins (MG), tem outros passageiros a bordo, mas não há informações sobre quantidades nem nacionalidades. O avião é norte-americano, e a logística também é de responsabilidade dos Estados Unidos. Em território nacional, os deportados são auxiliados pela Polícia Federal. Procurada, a PF não retornou os questionamentos do R7.

Ainda não é possível saber quando os primeiros brasileiros atingidos pelas medidas anti-imigração de Trump chegam ao Brasil. O Ministério das Relações Exteriores não tem informações de um eventual próximo voo, porque os EUA divulgam as decolagens com poucos dias de antecedência.

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Pelo acordo de 2018, brasileiros em situação ilegal podem ser deportados dos EUA e trazidos de volta ao Brasil, desde que esgotadas todas as possibilidades de permanecer em solo norte-americano. Ou seja, o voo que chega nesta sexta-feira (24) já estava previsto — não haveria tempo hábil para eliminar todas as opções disponíveis, já que Trump assumiu na última segunda (20).

Os voos desse tipo ocorrem com certa frequência — outras aeronaves norte-americanas pousaram com brasileiros deportados em novembro e dezembro de 2024.

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Medidas de Trump

O novo presidente dos EUA declarou, horas após tomar posse, que a América do Sul “precisa” dos Estados Unidos. “A relação é excelente. Eles precisam de nós, muito mais do que nós precisamos deles. Não precisamos deles, eles precisam de nós. Todos precisam de nós”, afirmou.

Na quarta-feira (22), Trump assinou uma ordem executiva que suspende a entrada de imigrantes ilegais pela fronteira sul, limite dos Estados Unidos com o México — uma promessa de campanha do republicano. Em nota divulgada pela Casa Branca, Trump justifica o ato como forma de “proteger” os EUA e a população norte-americana de “invasões”.

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O presidente também restringiu o acesso a termos legais de imigração que permitiriam a permanência de imigrantes ilegais nos EUA, como a concessão de asilo.

O documento de quarta-feira autoriza quaisquer ações necessárias para imediatamente “repelir, repatriar e remover” imigrantes ilegais da fronteira sul. As medidas relacionadas aos imigrantes têm sido priorizadas por Trump logo no início do governo, como prometido por ele.

Nas primeiras horas da nova gestão, o republicano também pôs fim à cidadania por nascimento, política em vigor atualmente que garante que bebês nascidos no país sejam cidadãos norte-americanos automaticamente. Na prática, o texto — que não é retroativo — encerraria a concessão do documento a filhos de imigrantes que nascem em solo norte-americano. No entanto, a norma foi bloqueada nessa quinta (23) pela Justiça dos EUA.



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