Stellantis reduz produção de Fiat Titano e Ram Dakota na Argentina
Fábrica de Córdoba passa de dois para apenas um turno; produção deverá ficar quase 40% abaixo da meta inicial

A Stellantis decidiu reduzir a produção das picapes Fiat Titano e Ram Dakota no Polo Industrial de Ferreyra, em Córdoba, na Argentina. Desde o início de setembro, a linha responsável pelos dois modelos passou a operar em apenas um turno, ante os dois utilizados anteriormente. A medida foi atribuída à demanda abaixo do esperado tanto no mercado argentino quanto nas exportações, principalmente para o Brasil.
Lateral dianteira da RAM Dakota Big Horn
Marcos Camargo Jr. 06.08.2026
A informação foi publicada pelo site A Rodar Post e posteriormente foi confirmada pela Stellantis.

O planejamento inicial da fabricante previa a produção de aproximadamente 27 mil picapes em 2026, sendo 18 mil unidades da Dakota e 9 mil da Titano. Com a revisão, a expectativa caiu para 12 mil exemplares da Ram e 4.500 unidades da Fiat. Assim, a produção efetiva projetada para o ano passou para 16.500 veículos, redução de aproximadamente 39% sobre o volume inicialmente programado. Os números foram divulgados pela imprensa argentina, mas não confirmados oficialmente pela Stellantis.

O corte será mais intenso no último quadrimestre. Das 8 mil unidades da Dakota que seriam montadas entre setembro e dezembro, somente 3 mil deverão sair da linha. No caso da Titano, a previsão caiu de 1.500 para mil veículos no mesmo período.

A redução também terá reflexos sobre os funcionários. A Stellantis adotará um sistema de suspensões temporárias e transferirá parte dos trabalhadores da linha de picapes para a nova fábrica de motores 2.2 Multijet, que deve começar a operar no início de 2027. A companhia não informou quantas pessoas serão atingidas pelas suspensões. A produção do Fiat Cronos, realizada no mesmo complexo, continuará no ritmo atual.

Em junho, o Polo Industrial de Córdoba contava com 2.868 funcionários. O projeto de transformação da unidade em um centro regional de picapes e motores previa a geração de 1.800 novos postos de trabalho, dos quais mais de 1.300 já haviam sido criados. Com a queda da demanda, parte das contratações previstas para a fábrica de motores poderá ser substituída pela realocação dos atuais empregados.
No Brasil, maior destino das picapes argentinas, a Titano somava cerca de 3.500 emplacamentos entre janeiro e agosto, enquanto a Dakota registrava aproximadamente 3.200 unidades. No mesmo período, Toyota Hilux, Ford Ranger e Chevrolet S10 acumulavam, respectivamente, mais de 30 mil, quase 24 mil e acima de 20 mil veículos vendidos.
A Stellantis afirma que mantém o investimento de cerca de US$ 385 milhões no complexo argentino, destinado à produção de Titano, Dakota e do motor 2.2 turbodiesel. A empresa classifica a mudança como uma adequação dos processos produtivos à evolução da procura nos mercados interno e externo.
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