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Volkswagen pode apostar em carro a álcool e produzir carro chinês no Brasil

Pressão das marcas asiáticas e busca por redução de custos devem levar fabricante alemã a combinar tradição flex com soluções desenvolvidas na China

Autos Carros|Marcos Camargo JrOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Volkswagen enfrenta pressão das montadoras chinesas no Brasil e busca soluções para reduzir custos e acelerar o desenvolvimento de novos produtos.
  • A empresa considera ampliar o uso do etanol e adotar tecnologias chinesas como parte de sua estratégia para o mercado brasileiro.
  • Investimentos em veículos flex e híbridos, com foco no etanol, são vistos como uma vantagem competitiva contra concorrentes chineses.
  • Parcerias com empresas chinesas, como a Xpeng, podem influenciar futuros modelos da Volkswagen no Brasil, com tecnologia e plataformas desenvolvidas em conjunto.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Fábrica da Volkswagen Volkswagen/Divulgação

A crescente presença das montadoras chinesas no Brasil está mudando a estratégia das fabricantes tradicionais.

No caso da Volkswagen, a resposta pode passar por dois caminhos que parecem opostos, mas são complementares: ampliar o uso do etanol em seus veículos e recorrer a tecnologias e plataformas desenvolvidas em parceria com empresas chinesas para reduzir custos e acelerar o desenvolvimento de novos produtos.


O R7-Autos Carros conversou com Ciro Possobom, CEO da Volkswagen, durante o Anfavea Visions, realizado nesta semana em São Paulo.


Ciro Possobom, CEO da Volkswagen Volkswagen/Divulgação

A própria Volkswagen reconhece que a expansão das marcas chinesas vem pressionando os preços e até mesmo os valores de revenda dos automóveis no Brasil. “Estamos vendo agora com os novos entrantes, com alíquotas de importação mais baixas e com o modelo CKD e SKD e com o dólar mais baixo. Isso fez com que realmente tenha uma grande entrada de carros aqui no Brasil, que está pressionando os preços realmente para baixo, e, claro, a nossa indústria quer um tempo para fazer. Eu não consigo pegar uma fábrica ou nossa aqui, por exemplo, e trocar amanhã, tirar toda a linha, as linhas, e colocar uma linha nova, uma plataforma nova. Isso funciona para fazer automóvel, como para fazer qualquer outro tipo de negócio”, disse Possobom.

Fábrica da Volkswagen Volkswagen/Divulgação

Apesar disso, a empresa afirma que não pretende entrar em uma “guerra de preços”. Possobom foi claro: “É uma palavra muito forte, mas eu vou dizer. Muitas vezes o projeto industrial não funciona, é mais barato trazer de fora porque a taxa de câmbio está mais baixa e por outros fatores”, admitiu.


Fábrica da Volkswagen Volkswagen/Divulgação

Enquanto BYD, GWM, Geely e GAC ampliam sua participação no mercado brasileiro com modelos híbridos e elétricos, a fabricante alemã trabalha em uma estratégia que combina a experiência acumulada com motores flex e a aproximação tecnológica com empresas chinesas.

Volkswagen vai trazer carros da China

Enquanto confirma a oferta de modelos elétricos europeus por aqui, como o ID.4 que vem da Europa, a Volkswagen sabe que usar as parcerias da China pode ser algo mais viável.


Fábrica da Volkswagen Volkswagen/Divulgação

“Eu tenho que pegar o meu line-up que existe disponível do grupo e ver como é que o adapto à realidade do Brasil. Então existe uma conversa grande sobre isso e não tem nenhum bloqueio em relação a esse tema. Nós temos várias parcerias lá (na China) com outras montadoras, inclusive. E a gente está analisando o que pode ser feito, colocado no Brasil, que seja adequado ao consumidor brasileiro”, explicou o executivo.

Fábrica da Volkswagen Volkswagen/Divulgação

O R7-Autos perguntou a Ciro Possobom sobre os elétricos de alcance estendido que a Volkswagen tem na China em parceria com a XPeng.

O executivo respondeu: “Então a Volkswagen vai lançar dezenas de carros agora nos próximos dois anos na China. O elétrico de alcance estendido, você acha que é viável, e a gente vê essa transformação na indústria, atentos a essas soluções”, disse.

Etanol continua sendo um diferencial brasileiro

A Volkswagen já confirmou investimentos em veículos flex e híbridos para a América do Sul. O plano inclui o desenvolvimento de novas soluções baseadas no etanol, combustível que continua sendo um diferencial do mercado brasileiro.

Dentro do programa Mover carros com menos emissões, o que permite um retorno do portfólio a etanol, a Volkswagen poderia apostar em novos produtos só a etanol que pagam menos imposto.

Volkswagen ID.4 azul será vendido no Brasil Volkswagen/Divulgação

No passado, a fabricante foi uma das pioneiras na produção de carros movidos exclusivamente a álcool, ainda nos anos 1980. Agora, com a chegada dos híbridos flex, a combinação entre eletrificação e biocombustível pode voltar a ser uma vantagem competitiva diante dos rivais chineses.

Tera, da Volkswagen, na linha de montagem em Taubaté. Fábrica erguida para produzir Gol agora faz Polo e Tera Marcos Camargo Jr

A tendência já é seguida por concorrentes como GWM, BYD e Toyota, que passaram a investir em sistemas híbridos adaptados ao etanol. Marcas como a Chevrolet já lançaram versões de compactos apenas a etanol, aproveitando um benefício fiscal por conta das emissões reduzidas, segundo as regras do programa.

Parcerias chinesas podem influenciar os próximos Volkswagen

Além do biocombustível, a Volkswagen vem se aproximando cada vez mais da indústria chinesa.

A empresa investiu US$ 700 milhões (cerca de R$ 3,5 bilhões) na Xpeng e ampliou os acordos para desenvolvimento conjunto de arquitetura eletrônica, software e plataformas para veículos elétricos, híbridos e até modelos com motor a combustão.

Fábrica da Volkswagen Volkswagen/Divulgação

A parceria também envolve fabricantes como SAIC e FAW, responsáveis por diversos modelos desenvolvidos exclusivamente para o mercado chinês.

Tecnologia chinesa pode chegar ao Brasil

Embora a Volkswagen ainda não tenha confirmado quais soluções desenvolvidas na China serão utilizadas na América do Sul, especialistas avaliam que plataformas, softwares e componentes produzidos em parceria com empresas chinesas poderão ser aproveitados nos futuros veículos da marca vendidos no Brasil.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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