Os desafios do presidente reeleito no mercado de trabalho brasileiro
Formação técnica específica para profissionais é o melhor caminho
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A reeleição do presidente da República para os próximos 4 anos traz muitos desafios de gestão e a necessidade de implementações de novas políticas públicas que atendam às demandas do exato momento que o país está passando.
Na seara do mercado de trabalho, temos pontos a considerar a fim de não entrarmos em colapso em termos de criação e manutenção de empregos, falta de mão de obra técnica qualificada e específica, e comportamento social dos profissionais da nova geração.
Até o momento e historicamente temos presenciado, em maioria, instituições públicas atuando para formar profissionais em funções nas quais o mercado já está saturado. Alguns exemplos: assistente administrativo, cabeleireira, atendente e tantas outras.
Dessa forma, por mais que seja um projeto amplo e positivo, não atende exatamente ao que o mercado precisa, de acordo com a região, setor de atuação e projeções futuras.
A sociedade, naturalmente, também passa por transformações profundas em comportamento, consumo e tendências de mercado e geração de oportunidades.
Essas mudanças independem de partido político ou figura eleita, pois são naturais de tempos em tempos. Antigamente, considerava-se um ciclo de 50 anos para que novos conceitos sociais fossem criados. Hoje, esse ciclo de 50 anos se transformou em 10. Em alguns quesitos específicos, os 10 se transformaram em dias.
O excesso de informações, o acesso à educação e todas as facilidades que a tecnologia nos trouxe são os fatores motores para essa rapidez, mudando reações, pensamentos e crenças sobre todos os aspectos que possamos imaginar.
FALTA DE PROFISSIONAIS COM FORMAÇÕES TÉCNICAS ESPECÍFICAS
Enquanto vemos instituições atuando para formar profissionais em excesso e que não são demandas reais de mercado, outras funções vêm surgindo e ficando com lacunas para o preenchimento de vagas, seja com formações técnicas específicas ou funções que estão surgindo com todo o avanço social e tecnológico.
O maior desafio do presidente reeleito, nesse aspecto, é entender as reais demandas das empresas e instituições da indústria, comércio, serviços e até mesmo do terceiro setor.
Indústria:
- Profissionais diversos que tenham o inglês avançado.
- Profissionais que tenham conhecimentos específicos na área de produção, compras, estoque e logística, principalmente.
- Executivos em níveis de direção (7 a cada 10 diretores são de outros estados, diferentes da origem da empresa ou país).
Comércio:
- Gerentes de lojas.
- Especialistas em e-commerce.
- Compradores internacionais.
- Profissionais contábeis e fiscais (os dois conhecimentos juntos).
- Gerente geral de lojas ou restaurantes (que cuidem de mais uma unidade).
- Recrutadores | vendedores.
Serviços:
- Especialistas em marketplace.
- Especialistas em desenvolvimento de sistemas.
- Profissionais de e-commerce.
- Analistas de TI – sistemas e infraestrutura.
- Diretores de logística.
Terceiro setor:
- Profissionais de projetos.
- Especialistas em assuntos regulatórios.
As áreas destacadas acima são as mais escassas de profissionais no momento. Existem muitas outras, entretanto, essas são as principais.
SEPARAR A IDEOLOGIA POLÍTICA COM O MERCADO CHINA/EUA
O Brasil, habitualmente, sempre conversou com todos os lados. Atualmente há duas linhas comerciais muito fortes a serem consideradas: EUA e China.
Sobre tecnologias e matérias-primas industriais, são as duas frentes de que mais dependemos no momento. Sendo assim, o ideal é que o presidente reeleito converse com os dois povos, não escolhendo um de acordo com sua vertente ideológica.
Para o nosso mercado tecnológico e industrial, a falta de um dos dois pode gerar um grande caos econômico.
Em um país dividido pela polarização de dois lados, optar por manter negócios com os norte-americanos e chineses, simultaneamente, pode resultar em baixas em densidade eleitoral e ser visto como traição por eleitores. Esse é o desafio.
O AVANÇO DA PEJOTIZAÇÃO COMO MÉTODO DE CONTRATAÇÃO
O crescimento das contratações PJ é uma realidade que surgiu depois do período de pandemia. A iniciativa foi vista como uma estratégia das empresas para reduzir as altas despesas trabalhistas com o formato CLT.
Mesmo que seja um caminho arriscado no ponto de vista legal e que tenha criado muitas demandas de processos trabalhistas, é um tema que tem projeção de crescimento para os próximos, inclusive para cargos mais operacionais, o que até agora não estava sendo feito.
Encontrar o meio-termo entre redução de despesas trabalhistas para as empresas, sem que os trabalhadores percam os seus direitos de CLT, é o maior desafio que o presidente eleito terá, considerando a briga entre classes que temos visto na última década.
ALTA DE AFASTAMENTOS POR DEPRESSÃO OU SIMILARES
Somente em 2025 houve o registro de mais de 546 mil trabalhadores afastados por depressão ou situações similares. Foi o número recorde, considerando todos os outros anos.
A consequência disso é o aumento de despesas do INSS para custear esses afastamentos. Além disso, também existe a falta que o profissional vai fazer no dia a dia da empresa, criando a necessidade de contratar mais uma pessoa para suprir a função.
Para um planejamento assertivo que vise prevenção para os próximos anos, também é necessário pensarmos na possibilidade de outras ocorrências parecidas que podem surgir como possibilidade de novos afastamentos. Infelizmente, essa é uma projeção real e os números nos mostram que a tendência é de aumento significativo nos próximos 5 anos.
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