BYD desacelera vendas globais, amplia exportações e acelera expansão fora da China
Marcas de luxo crescem e dobram de volume mas BYD cresce mesmo fora da China

A BYD registrou retração nas vendas globais de veículos de passageiros em abril de 2026, em meio à intensificação da concorrência no mercado chinês e à guerra de preços no segmento de eletrificados. A montadora entregou 314,1 mil unidades no período, queda de 15,7% na comparação com abril de 2025. E um resultado bem negativo para a BYD que vinha crescendo de forma exponencial mesmo na China.

Em sua terra natal a BYD está na quarta posição atrás da Volkswagen (que perdeu mercado mas manteve a liderança), Geely e Toyota na terceira posição.

Apesar do recuo, o desempenho mensal indica reação. Em relação a março, houve crescimento de 6,2%, movimento associado à retomada após o período do Ano Novo Chinês, tradicionalmente mais fraco para a indústria com um longo feriado nacional.
Crescimento fora da China
O principal vetor de crescimento da BYD segue fora da China. As exportações atingiram 134,5 mil unidades em abril, o maior volume mensal da história da companhia. Com isso, os embarques internacionais passaram a responder por 42,8% das vendas totais, reforçando a mudança de eixo da estratégia da montadora.

No acumulado do ano, o cenário é mais desafiador. Entre janeiro e abril, a BYD soma pouco mais de 1 milhão de veículos vendidos, retração de 26,4% frente ao mesmo período de 2025, refletindo a desaceleração do mercado doméstico e alta concorrência.

A pressão competitiva atinge principalmente os modelos de maior volume. As linhas Dynasty e Ocean, que concentram produtos de entrada e médio porte como Dolphin, Song Pro, Song Plus e Qin (King) registraram queda de 21,2%, impactadas por rivais locais e pela redução agressiva de preços.
Carros de luxo crescem na China
Por outro lado, nichos específicos seguem em expansão. A divisão Fang Cheng Bao, voltada a veículos off-road eletrificados, avançou mais de 190%, enquanto a marca de luxo Yangwang quase dobrou de volume, ainda que com participação reduzida no total.

A deterioração do ambiente também já afeta os resultados financeiros. A BYD reportou lucro líquido de 4,09 bilhões de yuans no primeiro trimestre, o equivalente a cerca de US$ 565 milhões (aproximadamente R$ 2,9 bilhões), uma queda de 55,4% na comparação anual, pressionada pelo aumento dos custos de componentes e pelos investimentos em eletrificação.

Diante desse cenário, a empresa reforça a estratégia global como pilar de crescimento. A meta é alcançar 1,5 milhão de veículos exportados até o fim de 2026, ampliando a presença internacional.
Brasil e Europa na mira da companhia
A BYD acelera sua expansão fora da China em diferentes frentes. Na América Latina, a empresa avança com a implantação do complexo industrial em Camaçari (BA), que deve consolidar o Brasil como base produtiva regional. Já na Europa, a montadora finaliza sua primeira fábrica na Hungria e também prepara uma unidade na Turquia, movimento que busca reduzir custos logísticos e contornar barreiras comerciais no bloco europeu.
O avanço global ocorre em um momento de maior pressão no mercado chinês e intensifica a disputa internacional, inclusive no Brasil, onde a BYD amplia participação e rede de concessionárias, além de liderar as vendas no segmento de veículos eletrificados. Aqui a marca alcançou a liderança no varejo em abril com 14,9 mil unidades vendidas, colocando a marca à frente de VW e Fiat.
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