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Carros usados: por que os chineses estão reduzindo os preços de modelos nacionais?

Avanço dos elétricos e híbridos mais acessíveis aumenta a concorrência e força montadoras tradicionais a oferecer descontos; efeito começa a chegar aos seminovos

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BYD Dolphin SE cinza estacionado em SP Marcos Camargo Jr 02.06.2026

Os carros usados começaram a sentir os efeitos da nova onda de concorrência provocada pelas fabricantes chinesas. Se nos últimos anos os veículos seminovos chegaram a registrar forte valorização por causa da falta de oferta e dos altos preços dos modelos zero-quilômetro, o cenário mudou em 2026.

BYD Dolphin Mini é um dos elétricos mais vendidos do Brasil BYD/Divulgação

A chegada de elétricos e híbridos mais acessíveis, além de SUVs equipados com motores mais eficientes e listas de equipamentos mais completas, vem pressionando os preços dos veículos nacionais e importados tradicionais.


Geely EX2 verde com interior claro Marcos Camargo Jr 26.05.2026

O movimento é mais perceptível em duas faixas do mercado. A primeira envolve modelos entre R$ 100 mil e R$ 130 mil, segmento que passou a receber uma série de elétricos compactos. A segunda está nos SUVs médios e médios-grandes, onde marcas chinesas oferecem motorização híbrida e níveis de equipamentos superiores por valores abaixo de R$ 200 mil.


Elétricos mais baratos mexem com os compactos

Até pouco tempo atrás, hatchbacks e SUVs compactos a combustão dominavam sozinhos a faixa entre R$ 100 mil e R$ 130 mil. Hoje, modelos como BYD Dolphin Mini, BYD Dolphin GS, Geely EX2, GAC Aion UT, Chevrolet Spark EUV e GWM Ora 03 passaram a disputar diretamente esse espaço.


GWM Ora 03 BEV 58 na cor cinza estático GWM/Divulgação

Além do baixo custo de utilização, esses veículos oferecem itens como central multimídia de grandes dimensões, sistemas de assistência à condução, carregamento rápido e maior nível de conectividade. Como consequência, modelos compactos tradicionais passaram a enfrentar maior concorrência e perder parte do poder de precificação.

Chevrolet Spark tem potência de 101 cv Marcos Camargo Jr. 15.02.2026

Na prática, isso ajuda a explicar a maior quantidade de bônus e promoções em carros a combustão, além da desaceleração dos preços dos seminovos.


Híbridos chineses pressionam SUVs médios

Na faixa entre R$ 150 mil e R$ 200 mil, o impacto é ainda maior. Modelos como BYD Song Pro, BYD King, GWM Haval H6 e diversos lançamentos da Chery e da Geely oferecem sistemas híbridos e híbridos plug-in em uma faixa de preço que anteriormente era ocupada quase exclusivamente por SUVs médios a combustão.

BYD Song Pro preto estacionado em SP Marcos Camargo Jr. 01.07.2026

Além do consumo menor, muitos desses modelos entregam mais potência, maior quantidade de equipamentos e autonomia superior. Com isso, veículos tradicionais passaram a enfrentar um concorrente que oferece mais tecnologia por um preço semelhante ou até inferior.

Toyota e Honda já reagem

Marcas historicamente associadas a menor desvalorização e maior valor de revenda também começaram a responder. Toyota e Honda, por exemplo, vêm ampliando programas de bônus e condições comerciais para manter a competitividade de seus produtos.

Dianteira do Toyota Corolla Cross Toyota/Divulgação

O mesmo movimento pode ser observado em fabricantes como Volkswagen, Chevrolet, Jeep e Fiat, que passaram a recorrer com mais frequência a descontos de fábrica, campanhas para CNPJ e programas voltados para taxistas e motoristas de aplicativo.

Efeito chega aos usados

Quando um veículo zero-quilômetro recebe bônus maiores ou passa a enfrentar novos concorrentes, o mercado de seminovos acaba acompanhando essa tendência. Afinal, o consumidor passa a comparar um carro usado de maior valor com um modelo zero-quilômetro mais moderno e equipado.

GWM Haval H6 híbrido flex na estrada GWM/Divulgação

Esse fenômeno já aparece nos índices do setor. Dados recentes da Webmotors apontam aceleração na desvalorização dos usados, indicando um mercado mais equilibrado após os anos de forte valorização registrados no período pós-pandemia.

O consumidor é o principal beneficiado

A maior concorrência tende a favorecer o comprador. Com mais opções disponíveis e fabricantes disputando faixas de preço antes pouco exploradas, o consumidor encontra veículos mais equipados, motorização híbrida e elétrica mais acessível e uma quantidade crescente de promoções.

BYD King 2026 nas concessionárias da marca Marcos Camargo Jr

Ao mesmo tempo, os preços dos seminovos tendem a voltar a um comportamento mais próximo do histórico do mercado, em que a desvalorização faz parte do ciclo natural do automóvel.

Se até poucos anos atrás os carros chineses eram vistos apenas como participantes marginais, em 2026 eles passaram a exercer um papel semelhante ao de reguladores de preços. E esse movimento, que começou entre os elétricos e híbridos, já se espalha por praticamente todos os segmentos do mercado brasileiro.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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