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Como era o mercado automotivo em 1994, ano do Tetracampeonato?

Gol bolinha era a grande novidade da Volkswagen enquanto o Corsa já era vendido com ágio e fila de espera

Autos Carros|Marcos Camargo JrOpens in new window

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Gol bolinha cinza Volkswagen/Divulgação

O Brasil conquistava o tetra nos Estados Unidos, o Plano Real entrava em vigor e a indústria automotiva nacional iniciava uma das maiores transformações de sua história. O ano de 1994 marcou a despedida de projetos tradicionais, a morte de Ayrton Senna e a chegada de modelos que definiriam o mercado brasileiro pelas décadas seguintes.

Volkswagen Gol verde vendido nos anos 90 Volkswagen/Divulgação

Naquele momento, o automóvel mais vendido do país continuava sendo o Volkswagen Gol, que iniciava uma nova fase com a segunda geração.


Volkswagen Gol anos 90 Volkswagen/Divulgação

Conhecido posteriormente como “Gol Bolinha”, o modelo adotou linhas mais arredondadas e abandonou o visual quadrado que caracterizou os anos 1980. O carro manteve a liderança de vendas e consolidou uma trajetória que o levaria a permanecer no topo do mercado por quase três décadas. Com as mudanças, o Gol também ganharia injeção eletrônica que começava a chegar aos veículos populares de nova geração.

Seleção do tetracampeonato em 1994 CBF/Reprodução

Outra grande novidade daquele ano foi a chegada do Chevrolet Corsa. Produzido em São José dos Campos (SP), o compacto representava um salto tecnológico para o consumidor brasileiro, oferecendo direção mais leve, melhor acabamento, motores modernos e um padrão de construção inspirado nos modelos europeus da Opel. A procura foi tão elevada que concessionárias chegaram a cobrar ágio sobre o preço sugerido, fenômeno relativamente comum nos lançamentos mais desejados da época.


Lançamento do plano real com o então ministro da economia Fernando Henrique Cardoso, 1994 Senado federal/Reprodução

Enquanto novos protagonistas surgiam, um dos carros mais emblemáticos do país se despedia. O Chevrolet Chevette encerrava sua produção no Brasil após quase duas décadas de mercado. O sedã de duas portas saiu de linha em 1993, mas a picape Chevy 500, derivada da mesma plataforma, permaneceu em produção até 1994, marcando o fim definitivo da família Chevette no país.

Clássico Chevrolet Corsa vermelho Chevrolet/Divulgação

Entre os modelos mais vendidos daquele período, além do Gol, estavam nomes que marcaram uma geração de consumidores. Fiat Uno, Chevrolet Monza, Volkswagen Santana, Fiat Tempra e Chevrolet Kadett figuravam entre os veículos mais procurados, em um mercado ainda fortemente dominado por hatchs compactos e sedãs médios nacionais.


Chevrolet Corsa azul estacionado Chevrolet/Divulgação

O Fiat Uno vivia um de seus melhores momentos comerciais, impulsionado pelas versões Mille de baixo custo. A versão ELX também fazia sucesso com alta procura e proposta de custo benefício.

Fiat Uno turbo vermelho estacionado Fiat/Divulgação

O Monza seguia como referência entre os sedãs médios, enquanto o Santana mantinha espaço entre frotistas e famílias que buscavam veículos maiores. O Kadett, lançado no fim dos anos 1980, continuava sendo um dos hatchs mais modernos disponíveis no país.


Chevrolet Monza estacionado no Brasil Chevrolet/Divulgação

A abertura econômica iniciada no começo da década também começava a mudar o perfil do consumidor. Modelos importados voltavam às ruas brasileiras após anos de restrições, trazendo nomes como Peugeot 106, Citroën ZX, Renault Twingo, Honda Civic e Toyota Corolla. Ainda eram produtos de nicho, mas indicavam a transformação que o mercado viveria nos anos seguintes.

Citroën ZX preto estacionado em SP Citroën/Divulgação

Outro marco de 1994 foi a implementação do Plano Real. A estabilização da moeda ampliou o acesso ao crédito e deu previsibilidade aos preços dos veículos, criando condições para a expansão do setor automotivo na segunda metade da década. As montadoras iniciaram novos ciclos de investimentos e preparavam a chegada de fábricas e produtos inéditos.

No segmento das picapes a Ranger era a grande novidade. Uma nova geração atualizava por inteiro o segmento de picapes médias deixando as antigas Chevrolet D20 para trás enquanto as japonesas ainda não decolavam. A GM só mudaria a linha com a Blazer e S10 no ano seguinte, em 1995.

O Brasil do tetracampeonato vivia, portanto, uma transição entre duas eras. De um lado, despediam-se projetos como o Chevette e outros automóveis concebidos nos anos 1970. Do outro, surgiam modelos como Gol G2 e Corsa, que estabeleceriam novos padrões de design, conforto e tecnologia para milhões de brasileiros nos anos seguintes.

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