Rússia faz jogo duplo sobre fim da guerra para conquistar mais partes da Ucrânia, diz especialista
Presidente russo declarou que está disposto a conversar com Zelensky, mas apenas na última etapa das negociações
Conexão Record News|Do R7
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, declarou que está disposto a se encontrar com o rival ucraniano, Volodymyr Zelensky, para negociar a paz entre os dois países. A declaração foi feita em uma entrevista coletiva em São Petersburgo. Apesar de afirmar que está pronto para a conversa, o presidente russo acredita que ela deva acontecer somente na última etapa das negociações. Putin ainda afirmou que, se Donald Trump fosse presidente dos Estados Unidos em fevereiro de 2022, mês da invasão russa, a guerra nem teria começado.
“A Rússia pode usar esse discurso de que quer negociar pela paz como uma chance de exigir não só as quatro províncias que reclamou no início, três anos atrás, mas outras três províncias estratégicas como critério para encerrar o conflito” na Ucrânia, segundo Vladimir Feijó, professor de relações internacionais.
Em conversa com o programa Conexão Record News
desta quinta-feira (19), Feijó pontua que o líder russo, Vladimir Putin, “segue com essa retórica de que o interesse nunca foi a guerra e que estaria disposto a negociar a paz, porém, com suas exigências de que a Ucrânia se afirme eternamente neutra”. Exigências feitas pelo Kremlin incluem a dispersão de um batalhão nacionalista ucraniano e a cessão de territórios estratégicos no leste do país.
Entretanto, Feijó alerta que a estratégia de Moscou aposta em postergar as conversas de cessar-fogo para aumentar o número de territórios ocupados no país. Os russos querem avançar além da região do Donbas, o que dificultaria o acesso ucraniano ao mar e, consequentemente, prejudicaria o comércio internacional do país.
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