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Trump escolhe embaixador para o Brasil em meio a disputa com Lula sobre facções, Pix e tarifas

Nomeação, que ainda precisa ser aprovada pelo Senado dos EUA, encerrará vácuo diplomático na representação do país em Brasília

Brasília|Do R7, com Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Donald Trump indicou Daniel Perez como embaixador no Brasil, aguardando aprovação do Senado americano.
  • A nomeação ocorre em meio a tensões entre os EUA e o Brasil, após a designação de facções criminosas brasileiras como terroristas.
  • Trump e Lula discutem questões tarifárias e o impacto do sistema de pagamentos Pix, que está sob investigação nos EUA.
  • Encontros diplomáticos recentes entre Trump e Lula buscam resolver impasses econômicos e fortalecer as relações bilaterais.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Indicação do presidente Donald Trump para o posto se dá em momento de impasses entre os dois países Evan Vucci/Reuters – Arquivo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou Daniel Perez para o cargo de embaixador do país no Brasil. A nomeação ocorreu nesta segunda-feira (1º), mas ainda precisa ser aprovada pelo Senado americano. Se confirmada, encerrará um vácuo diplomático superior a 16 meses na sede de representação diplomática, em Brasília.

A indicação ocorre em momento de tensão entre os dois países. Na última quinta-feira (28), o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, classificou o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas. A decisão preocupou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que se apressou em rejeitar a medida.


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Por meio de nota publicada ainda na semana passada, o Planalto informou que não aceitará o uso de medidas arbitrárias com origem no estrangeiro como pretexto para atacar a soberania e a economia do país.

Especialistas entendem que a medida oferece um cardápio variado para intervenção do presidente Donald Trump no Brasil: as ações podem incluir desde embargos econômicos até operações militares.


Até o Pix poderia se tornar alvo de sanções norte-americanas por meio dessa designação, devido às contestações dos EUA de que o sistema representa uma “prática anticompetitiva”. Assim, o país norte-americano poderia levantar barreiras tarifárias contra a ferramenta bancária e até tentar derrubá-la, sob alegação de asfixiar o financiamento do crime organizado.

A disputa em torno do método de pagamento brasileiro começou após o Pix tomar uma fatia significativa do mercado e incomodar autoridades norte-americanas e empresas do setor. O sistema substitui o uso do débito, por exemplo — função dos cartões que oferece taxas mais elevadas aos usuários.


Tentativas de negociação

Em julho de 2025, os EUA abriram uma investigação sobre o sistema de pagamentos instantâneos, por meio da Seção 301 da Lei de Comércio. A legislação permite ao governo Trump impor penalidades a países que adotem práticas consideradas desleais aos negócios norte-americanos. O escopo da apuração é amplo, mas o Pix é um dos alvos mais preocupantes para o governo estadunidense.

Lula e Trump tentaram suavizar o clima em encontros sucessivos. Em outubro de 2025, os dois tiveram uma reunião bilateral durante a 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático, quando o brasileiro pediu a suspensão do tarifaço. Em dezembro último, ambos conversaram durante uma ligação de 40 minutos, descrita pelos políticos como “amistosa”.


O ponto alto do esforço diplomático brasileiro contra as tarifas ocorreu recentemente, em 7 de maio, quando Lula visitou a Casa Branca e teve uma reunião de mais de três horas com Trump, que chamou o petista de “dinâmico”.

No encontro, Lula pediu a Trump o encerramento do processo baseado na Seção 301 “o quanto antes”. Os dois líderes ainda concordaram em criar um grupo de trabalho, em 30 dias, para debater o impasse tarifário.

Cargo vago

É nesse cenário de negociação que chega a nomeação de Daniel Perez. A embaixada dos EUA em Brasília estava sem titular desde janeiro de 2025, quando Elizabeth Bagley, indicada por Joe Biden, encerrou o mandato antes da posse de Trump. A partir daí, o posto ficou sob condução de encarregados de negócios.

Daniel Perez foi eleito pela primeira vez para a Assembleia Legislativa da Flórida, em 2017. Ele é filho de imigrantes cubanos e integra a primeira geração de cubano-estadunidenses da família.

O deputado é formado pela Universidade Estadual da Flórida e tem diploma em direito pela Universidade Loyola, em Nova Orleans.

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