Minas Gerais Justiça decide se promotor suspeito de feminicídio em BH vira réu

Justiça decide se promotor suspeito de feminicídio em BH vira réu

André de Pinho é acusado pelo MP pela morte da esposa Lorenza de Pinho, que completaria 42 anos nesta quarta (25)

  • Minas Gerais | Lucas Pavanelli e Célio Ribeiro*, do R7

Lorenza morreu em casa no dia 2 de abril

Lorenza morreu em casa no dia 2 de abril

Reprodução / Facebook

O TJMG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais) decide, na tarde desta quarta-feira (25), se o promotor André Luís Garcia de Pinho, suspeito de matar a esposa em Belo Horizonte, vai se tornar réu por feminicídio.

A reunião do Órgão Especial acontece justamente no dia em que Lorenza Maria de Pinho completaria 42 anos de idade e dois dias após o Dia Estadual de Combate ao Feminicídio. A data foi lembrada pelo pai da vítima, Marco Aurélio, que lamentou o fato da filha não estar viva e afirmou que 2021 foi “o ano que não existiu”.

A análise da denúncia do MPMG (Ministério Público de Minas Gerais) seria realizada pelo tribunal no dia 11 de agosto, mas acabou sendo adiada após a defesa do promotor afirmar não ter sido intimada para a reunião do Órgão Especial. A relatora do processo, desembargadora Márcia Milanez, decidiu marcar uma nova data para evitar que todo o processo fosse anulado.

A denúncia do MPMG será analisada pelo Órgão Especial do TJMG, formado pelos 13 desembargadores mais antigos do órgão e outros 12 eleitos. A reunião está prevista para começar às 13h30.

Denúncia

A denúncia feita pelo MPMG (Ministério Público de Minas Gerais) aponta três agravantes para o crime de feminicídio: motivo torpe, meio cruel e meio que dificulta a defesa da vítima. As investigações apontaram que o desgaste no relacionamento pode ter motivado o crime.

O MP também indiciou os dois médicos que assinaram o atestado de óbito de Lorenza, mas eles vão responder pelo crime na Justiça comum. Como Pinho é membro do Ministério Público, mesmo que afastado, ele vai ser julgado pelo Órgão Especial. A defesa do promotor tentou levar a ação para a primeira instância, mas não teve sucesso.

Relembre o caso

Lorenza morreu no apartamento de luxo da família, no bairro Buritis, na região Oeste de Belo Horizonte, no último dia 02 de abril. Uma equipe médica foi chamada no local pelo promotor André Pinho, que alegou que a esposa teria passado mal enquanto dormia, suspeitando de engasgo. Os médicos atestaram "pneumonite, devido a alimento ou vômito, e auto intoxicação por exposição intencional a outras drogas”. No entanto, as investigações questionaram o laudo.

*​Estagiário do R7 sob a supervisão de Flávia Martins y Miguel.

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