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Café e outros produtos vão ficar mais baratos no Brasil com o tarifaço?

Segundo especialistas, tarifa de 50% às exportações tende a aumentar a oferta no mercado interno e reduzir a inflação; economista Carla Beni analisa

Conexão Record News|Do R7

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O aumento nas tarifas, aplicadas por Donald Trump a produtos brasileiros, adiciona 50% ao custo de exportação e pode desacelerar a economia brasileira. Em contrapartida, os produtos afetados pela alta alíquota, como o café, poderiam ser redirecionados ao mercado interno, o que geraria um impacto positivo na inflação. Em entrevista ao Conexão Record News desta quinta-feira (14), a economista Carla Beni analisa essa hipótese.

"A gente pode até ter uma parte das mercadorias dentro do Brasil que diminua um pouco o preço. Nós estamos, por exemplo, agora, até com uma queda do preço do café, por exemplo. Então pode ser realmente que algumas coisas aconteçam. Mas, nesse evento de tarifas que a gente está passando, só de ter uma ideia de que os preços não vão subir, eu acho que já é uma questão bem importante", argumenta Carla. Ela ressalta que é difícil prever o impacto na inflação em geral, porque o IPCA tem mais de 400 itens, bens e serviços.

Sobre o redirecionamento a outros mercados diferentes dos Estados Unidos, a economista explica que existem variáveis de um mesmo produto que podem atender a mercados diferentes. "A gente exporta café torrado, mas a gente também exporta café em grão verde. Sabe por quê? Porque cada país tem a sua torra e o seu paladar. Então olha que coisa interessante. Na carne é a mesma coisa. A gente exporta um corte específico para os Estados Unidos, que é o dianteiro, o traseiro fica aqui. Os miúdos a gente vai exportar para outro país. Os países do Oriente Médio são os que compram os nossos suínos e o frango. Então tem todo, digamos assim, os detalhes aí no meio do caminho.", afirma Carla Beni

"Se a gente acaba produzindo e os Estados Unidos não quiserem comprar, tem muita gente no mundo querendo comprar. Até o mercado das Filipinas a gente ampliou agora.", completa a especialista.

Além disso, a economista destaca que o Brasil optou por não retaliar as tarifas impostas pelos Estados Unidos, mesmo tendo respaldo legal para isso pela lei da reciprocidade. Segundo ela, o governo busca elaborar um planejamento para o setor produtivo, incluindo medidas como o adiamento de impostos e o uso de recursos de fundos para oferecer créditos a custos mais baixos. A prioridade, acrescentou, é preservar empregos, já que qualquer benefício concedido ao setor privado deve estar atrelado à manutenção dos postos de trabalho.

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