Taxa de cesáreas no Brasil é quase seis vezes maior que o recomendado pela OMS
Obstetra destaca riscos da cirurgia e explica casos onde ela precisa ser utilizada
News das 19h|Do R7
A taxa de cesáreas gira em torno de 55% a 60% do total de nascimentos no Brasil — porcentagem maior que a recomendada pela OMS (Organização Mundial da Saúde), que sugere índices entre 10% e 15%. Em entrevista ao News 19 Horas, o médico obstetra Wagner Hernandez diz que é importante sempre pontuar que a cesária é uma cirurgia. “Às vezes as pessoas tentam simplificar como, ‘ah, é só um parto’. Não, é uma cirurgia onde você corta sete camadas para chegar até o bebê e isso pode aumentar o risco de hemorragia, de infecção.”
Ainda que poucas, o especialista destaca que complicações podem existir a depender da saúde da mulher e dos antecedentes cirúrgicos. Os riscos também aumentam na repetição da cirurgia. No entanto, há casos em que a cesárea se torna a via de parto mais segura para a mãe ou para o bebê.
“Você pode ter uma mulher que não pode fazer um parto normal, porque eventualmente ela tem um herpes ativo na região genital, ela tem uma placenta que fica na frente da saída do bebê e isso impede que ela tenha um parto normal. Você pode ter, por exemplo, um bebê prematuro extremo. Você pode ter circunstâncias do órgão, do trabalho de parto, um sofrimento fetal, onde você tem que agir rapidamente e o parto ainda está longe de acontecer e aí você vai ter uma cesária, por exemplo, de urgência”, diz.
No entanto, o médico defende que o Brasil ser um dos campeões no número de cesáreas pelo mundo não é motivo de orgulho. “A gente não pode lutar para um percentual, por exemplo, de 4% de cesáreas no Brasil, que é um número, por exemplo, de África. Infelizmente, África tem uma taxa muito baixa de cesáreas por falta de acesso. O que a gente tem que buscar é o equilíbrio, justamente, trabalhar com taxas de 15%, 20%, até 30%”, conclui.
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