Teste completo com o Omoda E5: SUV elétrico cupê ainda vale a compra?
Modelo passou a adotar o nome E5 após a chegada do Omoda 5 HEV e deve ganhar versão de entrada de R$ 149,9 mil alem de um facelift inspirado no SUV vendido na China

Quando desembarcou no Brasil, o Omoda E5 ainda era conhecido simplesmente como Omoda 5 elétrico. Poucos meses depois, a estratégia global da marca mudou. Com a chegada do Omoda 5 HEV, o utilitário elétrico passou a adotar oficialmente a nomenclatura E5, alinhando o mercado brasileiro ao restante do mundo.
Detalhe do acabamento da porta do Omoda E5
Marcos Camargo Jr 20.07.2026
O R7-Autos Carros avaliou o SUV elétrico durante o lançamento nacional e a impressão é de um veículo que aposta muito mais no conforto, na tecnologia embarcada e no acabamento do que em uma condução esportiva. Hoje vendido por R$ 209.990, o modelo já prepara uma nova fase no Brasil, com uma versão de entrada prevista para custar cerca de R$ 149.900 e um amplo facelift semelhante ao modelo já comercializado na China. E boas surpresas vieram com esse novo teste.

Logo ao entrar no E5, chama atenção o desenho interno. As duas telas de 12,3 polegadas integradas sob uma única superfície de vidro criam uma aparência moderna, enquanto o console elevado deixa todos os comandos ao alcance da mão. O acabamento utiliza materiais macios nas áreas superiores do painel, bancos revestidos em couro sintético e boa qualidade de montagem. Há couro, metal e boa qualidade e discrição a bordo.

Ao volante, a posição de dirigir é confortável. Os bancos oferecem boa sustentação lateral e o amplo ajuste do volante facilita encontrar uma posição adequada. A visibilidade dianteira é boa, embora a traseira seja parcialmente limitada pela coluna C bastante larga. Felizmente, as câmeras de 360 graus compensam essa característica durante manobras.

O motor elétrico entrega 204 cv e 34,7 kgfm de torque imediatamente disponíveis. Na prática, isso significa arrancadas rápidas nos semáforos e retomadas seguras para ultrapassagens. A aceleração de 0 a 100 km/h ocorre em aproximadamente 7,2 segundos, desempenho suficiente para colocar o E5 entre os SUVs elétricos mais rápidos da faixa de preço.

Apesar dos números expressivos, o E5 não transmite uma proposta esportiva. A calibração do acelerador é progressiva e favorece uma condução suave. Mesmo no modo Sport, o carro continua previsível e fácil de controlar, sem respostas exageradamente bruscas.

Outro ponto positivo observado durante a avaliação foi o acerto da suspensão. Mesmo utilizando rodas de 18 polegadas, o SUV absorve bem imperfeições do asfalto brasileiro. Lombadas, juntas de viadutos e pisos irregulares são filtrados com competência, enquanto a cabine permanece silenciosa graças ao bom isolamento acústico.

Em curvas, a carroceria apresenta alguma inclinação, consequência do acerto voltado ao conforto e do peso superior a 1,7 tonelada provocado pela bateria instalada sob o assoalho. Ainda assim, o conjunto transmite segurança e previsibilidade.

A direção elétrica tem assistência leve em baixas velocidades e ganha peso de forma gradual na estrada. Não é uma direção esportiva, mas combina com a proposta familiar do veículo.

A bateria Blade de fosfato de ferro-lítio possui capacidade de 61,1 kWh e proporciona autonomia homologada de aproximadamente 345 quilômetros pelo Inmetro. Durante o teste, o consumo permaneceu dentro do esperado para um SUV desse porte, especialmente utilizando níveis moderados de regeneração de energia. O carregamento rápido em corrente contínua pode recuperar de 30% a 80% da carga em cerca de meia hora em condições ideais. Na prática é possível percorrer mais de 400km com uma carga.

O espaço interno é outro destaque. O entre-eixos de 2,63 metros garante bom espaço para quatro adultos viajarem com conforto. No banco traseiro, sobra espaço para pernas e cabeça, enquanto o porta-malas oferece cerca de 340 litros, suficiente para atender uma família em viagens curtas.

Entre os equipamentos estão teto solar panorâmico, ar-condicionado digital de duas zonas, carregador de celular por indução, bancos dianteiros elétricos, sistema de som Sony, iluminação ambiente, pacote completo de assistentes de condução, controle de cruzeiro adaptativo, frenagem autônoma de emergência, monitoramento de ponto cego e assistente de permanência em faixa.

Durante o uso, alguns alertas eletrônicos mostraram atuação bastante sensível, principalmente o monitoramento de faixa. Felizmente, as configurações podem ser personalizadas pela central multimídia.

Embora o E5 tenha chegado ao Brasil para disputar diretamente SUVs elétricos médios, sua faixa de preço acabou limitando o volume de vendas. Por isso, a Omoda & Jaecoo prepara uma estratégia diferente. A marca deverá lançar ainda este ano uma versão de entrada por cerca de R$ 149.900, reduzindo em aproximadamente R$ 60 mil o preço inicial e colocando o modelo para disputar clientes de hatchbacks elétricos como BYD Dolphin, GWM Ora 03 e GAC Aion UT.

Outra novidade prevista é uma atualização visual profunda. O E5 brasileiro deverá adotar a dianteira já apresentada internacionalmente, com novo para-choque, grade redesenhada, rodas inéditas e identidade visual alinhada aos lançamentos mais recentes da Omoda. A cabine praticamente não deverá sofrer alterações, preservando o conjunto de telas e o layout interno já conhecido.
Depois de dirigir o Omoda E5, fica claro que seu principal atributo não é o desempenho puro, mas o equilíbrio. O SUV entrega uma cabine silenciosa, boa qualidade de acabamento, conforto acima da média e um pacote tecnológico bastante completo. Com a futura redução de preço e a chegada do facelift, o modelo tem potencial para disputar um espaço muito maior entre os elétricos vendidos no Brasil do que conseguiu em sua primeira fase de mercado.
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