Projeto que endurece progressão de pena é positivo do ponto de vista da igualdade, diz delegado
Presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo avalia que criminalidade está fora de controle
Jornal da Record News|Do R7
O presidente da ADPESP (Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo), André Santos Pereira, avaliou como positiva a proposta aprovada pela Câmara dos Deputados que aumenta para 80% o tempo mínimo de pena cumprida para a progressão de regime em casos de crimes hediondos. Em entrevista ao Jornal da Record News nesta sexta-feira (4), Pereira explica que a lei atual prevê variação de 40% a 70% para a progressão, mas que o novo texto fixa o patamar único, sem distinções.
Segundo o delegado, o projeto surge em meio a um debate polarizado entre os que defendem o endurecimento das penas e os que priorizam a ressocialização dos detentos. “Nós não podemos ter um discurso de cumprimento de pena 100% no regime fechado, mas também não podemos banalizar a criminalidade que está ocorrendo nas ruas”, comenta. Ele cita o alto índice de reincidência no país e disse que o modelo atual de benefícios penais “não vem dando certo”.
Pereira destaca que a proposta foi inicialmente pensada para proteger agentes da segurança pública, mas que o texto final ampliou esse escopo. Para ele, a alteração respeita o princípio da igualdade. “Se temos uma vítima de crime hediondo, autoridade ou uma pessoa comum, nós devemos dar o mesmo tratamento”, aponta.
Sobre a possibilidade de contestação judicial, o presidente da ADPESP acredita que a proposta deve ser considerada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, já que não extingue a progressão de regime, apenas a torna mais rígida. “Num primeiro olhar, ela não é uma lei inconstitucional”, afirma.
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