Análise: ‘Cada vez mais a Ucrânia se coloca na dependência da Europa e dos EUA’
Fundo Monetário Internacional aprovou um desembolso adicional de R$ 2,7 bilhões para o país em guerra
Conexão Record News|Do R7
O FMI (Fundo Monetário Internacional) informou, nesta segunda-feira (30) que concluiu uma nova revisão do programa de apoio de quatro anos à Ucrânia. O novo comunicado diz que a revisão abre caminho para um desembolso adicional de US$ 500 milhões (aproximadamente R$ 2,7 bilhões, na cotação atual) para o país. Segundo as autoridades, a guerra da Rússia continua a ter um impacto social e econômico devastador a Kiev.
No entanto, segundo o órgão, a estabilidade macroeconômica foi preservada por meio de políticas hábeis, bem como de apoio externo substancial. O FMI disse que o país do leste europeu atendeu a todos os critérios de desempenho definidos na revisão e estabeleceu quatro novos parâmetros para medidas de atualização da infraestrutura do mercado financeiro ucraniano.
Em entrevista ao Conexão Record News desta terça-feira (1º), Lier Ferreira, pesquisador do núcleo de estudos dos países Brics da UFF (Universidade Federal Fluminense), lembra que a economia de um país continua funcionando, mesmo em um cenário de guerra. Por esse fator, Ferreira explica que esse acordo se faz necessário, pois a Ucrânia já se aproxima do montante de R$ 15,5 bilhões oferecidos pelo FMI há quatro anos e continua na situação da guerra. “Esse recurso é absolutamente essencial para a manutenção dessa vida na Ucrânia”, diz.
Em contrapartida, o especialista alerta que o país do leste europeu acaba se comprometendo em duas frentes, a bélica e a financeira. Com a dependência do apoio material bélico da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) na frente de guerra, os ucranianos acabam ficando dependentes principalmente dos Estados Unidos. Já no lado econômico, o país também se endivida com o FMI, que também tem como principal membro Washington.
“Cada vez mais a Ucrânia se coloca na dependência da Europa e dos Estados Unidos, mas é um elemento que ela não consegue se desvincular nesse momento porque, se não for assim, ela não tem como resistir à agressão russa”, conclui o professor.
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